CPI retoma investigação sobre faculdades irregulares

Em 17/02/2016
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O presidente da CPI, Rodrigo Novaes, vê indícios de irregularidade na atuação das faculdade. Foto: Jarbas Araújo

O presidente da CPI, Rodrigo Novaes, vê indícios de irregularidade na atuação das faculdade.
Foto: Jarbas Araújo

A CPI das Faculdades Irregulares retomou os trabalhos de escuta de testemunhas nesta quarta. A comissão investiga um esquema que funciona da seguinte forma: institutos oferecem cursos de extensão em áreas como pedagogia, administração e serviço social em cidades do Interior. Após a conclusão, prometem o aproveitamento dos créditos desses cursos por faculdades como a Fadire e a Funeso. O presidente da CPI, deputado Rodrigo Novaes, do PSD, explica por que esse esquema é ilegal. “O que a gente vê aqui de maneira muito clara são institutos que tinham conhecimento, que sabiam do que estavam participando e que serviram realmente como um braço para uma atitude ilícita, que era a terceirização da atividade de ensino, para falar pouco. Fora isso, a questão da irregularidade do curso de extensão que se transforma em graduação. Então foi campo fértil. Essas faculdades encontraram um campo muito fértil.”

A funcionária da Funeso, Carmela Alencar, afirma que a instituição não pagou salários a professores.

A funcionária da Funeso, Carmela Alencar, afirma que a instituição não pagou salários a professores. Foto: Jarbas Araújo

 

A reunião começou com o depoimento de Carmela Alencar, diretora do Sindicato dos Professores da Rede Particular de Pernambuco e funcionária da Funeso, uma das faculdades investigadas. Ela afirmou que os docentes da instituição estão em greve por atraso nos pagamentos. “Nós temos um processo na Justiça do Trabalho aguardando sentença, onde a gente faz requerimentos de vários salários em atraso, inclusive férias, décimo terceiro. Nós estamos em greve agora porque nós não recebemos um quarto do salário de maio, não recebemos os salários de novembro, dezembro e décimo terceiro. Fizemos uma proposta de receber a integralidade dos salários, e não foi aceito.”

Foram ouvidas, nesta quarta, pessoas ligadas ao Instituto Educacional Lourival Simões, de Cabrobó; ao Centro Master, de Caruaru; ao Instituto de Educação Superior de Floresta, Isef, e também à Faeco, de São Bento do Una; ao Ideb, de Caruaru e à Faculdade Anchieta, do Recife.

A representante do Instituto Educacional Lourival Simões, Hosanete Medeiros, confirmou a oferta de cursos de extensão em parceria com a Fadire, outra investigada pela CPI.

Ela afirmou que atendia a 120 alunos e recebia um repasse de35% sobre as mensalidades pagas. Hosanete Medeiros afirmou ter sido enganada pela Fadire.

Um esquema semelhante foi detalhado por Edvânia Souza, do Isef, e Daniel Caraúna da Motta, do Ideb. Edvânia Souza confirmou a continuidade dos cursos de extensão em parceria com a Fadire até o presente, e declarou aguardar uma definição da CPI para encerrá-los.

Já Daniel Caraúna da Mota declarou que atuava com uma faculdade do Espírito Santo, mas que vai devolver o dinheiro aos alunos lesados.

Pela Faculdade Anchieta, o diretor-adjunto Otávio Henrique Lira afirmou não administrar o setor de extensão da instituição. Débora Costa, convocada para representar a Faeco de São Bento do Una, declarou não ter ligação com a entidade. Por fim, Poliana Lira, do Centro Master de Caruaru, alegou o direito de permanecer calada.