Conciliar obras com preservação ambiental será o desafio da Escola de Sargentos

Em 06/11/2023
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A implantação da escola que deve centralizar a formação de sargentos do Exército brasileiro na Região Metropolitana do Recife foi tema de audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, nesta segunda. O objetivo foi detalhar a proposta, que deve ocupar parte do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti – CMNIC -, que já pertence às Forças Armadas, e está localizado dentro da APA – Área de Proteção Ambiental – Aldeia Beberibe.

Representantes do Exército afirmaram a intenção de reduzir ao máximo o impacto ambiental, mas esclareceram que a escolha do local considerou que o prédio da escola seja construído em área contígua ao campo de instrução. O general Joarez Alves Pereira Júnior ressaltou que a supressão de Mata Atlântica prevista atinge menos de 2% de um total de 7 mil hectares. Isso corresponde a desmatar aproximadamente 130 hectares. “É muito comum a gente ver centros de excelência do Brasil em qualquer área, incluindo a educação, migrarem para a região Sul/Sudeste, e o Exército resolveu fazer o movimento contrário: trazer um centro de excelência, um centro de referência, para o Exército, para o Brasil, e até para o mundo porque será uma das maiores escolas de formação de sargentos do mundo, para a região Nordeste.”

O General Joarez ainda sugeriu a recuperação de partes da APA Aldeia Beberibe como compensação ambiental. Segundo ele, a parte sob gestão do Exército, cerca de 23%, é a mais conservada da reserva. Além do campo de instrução e da escola propriamente dita, o complexo militar instalado vai contar com Batalhão de Comando e Serviço e Vila Militar. Conforme a projeção apresentada durante a audiência, uma comunidade de 6 mil pessoas deve se formar no entorno, com previsão de 200 milhões de reais por ano a mais na economia local, apenas em folha de pagamento. Ainda foi apontada a geração de 11 mil empregos diretos e 17 mil indiretos durante a construção do empreendimento.

Presente à audiência, a secretária estadual de Meio Ambiente, Ana Luiza Ferreira, disse que o Governo do Estado montou um grupo de trabalho envolvendo 11 secretarias, sociedade civil e universidades para tentar chegar à melhor versão possível do projeto. “A posição objetiva é que o Estado de Pernambuco não abre mão do meio ambiente, e o governo do Estado de Pernambuco também não abre mão do projeto da Escola de Sargentos. Acredito que essa é a posição de quase todos que estavam aqui, que estão falando, e que todos nós sabemos também que não é uma posição simples.”

Representantes da sociedade civil defenderam mudar o local onde serão construídas as instalações como forma evitar o desmate. Essa proposta deve ser melhor debatida na próxima audiência pública sobre a Escola de Sargentos, marcada para o próximo dia 27 de novembro. O foco será nos impactos socioambientais, de acordo com o Coordenador da Frente Parlamentar criada para acompanhar a instalação da unidade, deputado Renato Antunes, do PL. A audiência pública desta segunda teve ainda a participação de vereadores do Recife, promotoria de Justiça do município de Abreu e Lima e do deputado federal Coronel Meira, do PL.