Comissão avalia necessidade de ampliar atendimento a casos de microcefalia no interior

Em 07/04/2016
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Apesar de adequado, o atendimento a mães e bebês com microcefalia em Pernambuco ainda precisa ser garantido nos municípios mais distantes da capital. Foi essa a avaliação da Comissão Especial que acompanha os casos da doença no Estado, em visita, nesta quinta, à Associação de Assistência à Criança Deficiente, AACD, do Recife. Atualmente, a entidade cuida de 130 crianças com diagnóstico confirmado.

A recepcionista Maria Paula, do Recife, mãe de uma menina com microcefalia, levou a filha para exames com a equipe multidisciplinar da instituição e elogiou o atendimento oferecido em unidades da rede pública. A neuropediatra e gerente médica da AACD, Vanessa Van der Linden, confirmou que as unidades de saúde estaduais têm se esforçado para oferecer a melhor resposta possível ao surto, mas ainda falta apoio em municípios do interior.

Parlamentares conheceram trabalho da AACD e puderam identificar pontos de melhoria Foto: João Bita/Alepe

Parlamentares conheceram trabalho da AACD e puderam identificar pontos de melhoria
Foto: João Bita/Alepe

De acordo com a especialista, outro problema é a pouca oferta gratuita de remédios para as complicações relacionadas à microcefalia, como convulsões e dificuldade de deglutição. Ela defendeu que o Estado e as prefeituras forneçam os medicamentos.

Presidente do colegiado, Socorro Pimentel, do PSL, reforçou a necessidade de descentralizar a atenção às mães e bebês, e adiantou que o assunto deve compor o relatório da Comissão Especial ao final dos trabalhos. “De importante que a gente tira da reunião, que a gente pode colocar no nosso relatório, além da qualidade que vimos no atendimento, é ver que aqui – e como um todo – o Estado está precisando de capacitar os profissionais. É preciso de uma capacitação efetiva dos profissionais, e também médicos, pediatras, para que eles possam fazer o atendimento nas suas regiões.”

Integrante da Comissão Especial, a deputada Simone Santana, do PSB,  lembrou que, embora o diagnóstico já seja feito fora da capital, em hospitais de Caruaru, Serra Talhada e Petrolina, é preciso capacitar equipes de saúde nos municípios para encurtar o tempo do tratamento e reduzir os custos para as famílias. “O que a gente está falando é de uma descentralização maior ainda. É de que, a partir desse Centro de Referência de Diagnósticos, também haja descentralização para o atendimento quase que diário que essas crianças precisam ter, com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fisiatra, psicólogos e nutricionistas, enfim. É aquela equipe que não precisa de exames tão especializados, não precisa de tantos recursos, e que podem fazer um trabalho importantíssimo com essas crianças e bem próximo de onde elas moram.”

Segundo o último boletim publicado pela Secretaria Estadual de Saúde, no início da semana, 303 ocorrências da doença foram confirmadas em Pernambuco, sendo 129 relacionados ao vírus Zika.