Colegiado ouve denúncia de familiares de crianças com câncer

Em 29/05/2017
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O uso de um remédio chamado Leuginase, fornecido por um laboratório chinês para tratamento da leucemia, foi alvo de críticas de um grupo de pais recebido pela Comissão que elabora, na Alepe, o Estatuto da Pessoa com Câncer. Segundo o professor universitário Geraldo Leite Maia, pai de Felipe, de três anos, a droga está sendo utilizada nos hospitais públicos que atendem crianças no Estado há dois meses, desde que o Ministério da Saúde resolveu trocar o laboratório fornecedor. O problema, segundo Maia,  é que os pacientes pernambucanos estão servindo de cobaias, pois o medicamento não tem nenhum estudo sobre sua eficácia em humanos. “A Leuginase é uma droga que entrou no Brasil sem nenhuma comprovação técnica e científica de eficácia. Ou seja, não há comprovação de que ela vai dar certo. Isso faz com que os pais das crianças fiquem receosos, porque o tratamento do câncer é muito sofrido, muito doloroso.” 

O Leuginase tem como princípio ativo a asparaginase. A droga é usada para tratamento da leucemia desde a década de 1970 e é produzida por laboratórios da Alemanha, Estados Unidos e Japão. Já o remédio chinês, segundo os familiares recebidos na Alepe, não é utilizado nem mesmo em seu país de origem. Fora o Brasil, segundo denunciam, apenas Honduras e Paraguai estão comprando o Leuginase. Os pais acusaram o Ministério da Saúde de estar querendo economizar com a troca dos remédios.

Presidente da Comissão que elabora o Estatuto da Pessoa com Câncer, o deputado Rodrigo Novaes, do PSD, disse que vai procurar o Ministério Público Federal para tentar garantir judicialmente o fornecimento da asparaginase convencional. Para que seja regularizada novamente a medicação que se fazia uso anteriormente em todo o País e paralelamente  com o apoio do Conselho Federal de Medicina, solicitar uma mudança de postura por parte do Ministério da Saúde.” 

O parlamentar considerou a reunião produtiva porque os pais das crianças com câncer levantaram outras questões, como as dificuldades de conseguir benefícios pelo INSS para acompanhar o tratamento dos filhos e a ausência de uma lei que ampare as licenças no trabalho.