A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação realizou uma série de visitas técnicas, na última quinta, com o objetivo de conhecer a estrutura do Estado voltada para a área. O roteiro começou na sede da Secretaria Estadual, Secti-PE, onde o Colegiado foi recebido pela secretária, Mauricélia Montenegro, e outros gestores. As deputadas Simone Santana, do PSB, presidente do grupo, e Rosa Amorim, do PT, receberam informações sobre os equipamentos ligados à Secti-PE, como a Universidade de Pernambuco, UPE, a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco, a Facepe, e o Instituto de Tecnologia de Pernambuco, Itep.
Simone Santana informou que o Poder Legislativo pode contribuir com ações que incentivem o desenvolvimento do setor, seja com projetos de lei, divulgação e abertura ao debate. “Eu acho que a Assembleia tem o papel importante em divulgar todas essas ações, projetos, e fortalecer, né, através de projetos de lei, através de emendas parlamentares, através da criação de espaços de discussão, de trazer realmente essa pauta, porque é uma pauta muito importante para o desenvolvimento não só econômico do estado, mas principalmente social”.
Um dos destaques da visita foi a confirmação da necessidade de investimentos no Espaço Ciência, museu interativo localizado em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com a diretora de Ciência e Divulgação Científica da Secti, Emanuela Ribeiro, o local recebeu quase 50 mil visitantes entre janeiro e abril deste ano, e tem um enorme potencial como museu e também como área de convivência e lazer, mas carece de recursos.
A gestora analisou que o Espaço Ciência não interage com a comunidade do entorno, o acesso hoje só pode ser feito de carro, e a segurança precisa ser reforçada. Ela acrescentou que a estrutura não tem CNPJ nem registro como museu, ou seja, não tem a previsibilidade básica de um equipamento público.
A necessidade de maior destinação de verbas para a pasta foi um ponto reforçado. Segundo o diretor de Inovação da Secti, Hugo Medeiros, Pernambuco é referência nacional em Ciência e Tecnologia, mas é um dos estados brasileiros que menos investem nesse segmento. Hugo notou que apenas 0,5% da receita anual é dedicada a investimentos no setor. E defendeu que seja implementado um aumento gradual, estipulado na Lei Orçamentária Anual, LOA, que é aprovada pela Alepe.
Da Secti, todo o grupo seguiu para a Escola Técnica Estadual, ETE, Ginásio Pernambucano, no Recife. Lá, a Comissão conheceu o Espaço 4.0, que oferece a alunos da rede pública capacitação em tecnologia e inovação. Daniel Oliveira, gestor da instituição, explicou que a iniciativa auxilia os estudantes a desenvolver habilidades ligadas à programação, robótica e informática.
“A grande ideia é você identificar um problema real e desenvolver uma solução real para esse problema, problemas do cotidiano, e aí isso entra dentro da grade do estudante na formação de um projeto integrador, onde ele desenvolve isso a partir do primeiro ano do Ensino Médio e entrega um produto final concluído no terceiro ano”.
Hoje, 25 escolas estaduais contam com uma dessas salas, sendo 22 no Interior. De acordo com a Secretaria, a previsão é inaugurar mais 30 até o final do ano e outras 60 em 2024.
A última parada foi na sede do Núcleo de Gestão do Porto Digital, na região central do Recife. O diretor de inovação e competitividade empresarial, Heraldo Ourem, apresentou alguns números do parque tecnológico: 365 empresas, movimentação de 4,7 bilhões de reais por ano e mais de 17 mil trabalhadores. Ele afirmou que, apesar do rápido crescimento do setor, persiste a demanda por profissionais qualificados para atuar com tecnologia.
A secretária estadual Mauricélia Montenegro considerou positivas as visitas e a aproximação com a Assembleia Legislativa. “Super importante essa parceria com a Alepe porque a gente precisa fomentar investimentos, precisa fomentar o desenvolvimento, precisa fazer um processo de interiorização, precisa combater a pobreza, e com ciência, tecnologia e inovação é perfeitamente possível fazer isso, então a gente está feliz de estreitar essa relação, e tenho certeza que ela vai render bons frutos”.
Também participaram das visitas o diretor de Políticas de CTI e Competitividade da Secti, Cesar Andrade; a diretora de Avanço Tecnológico e Competitividade da pasta, Teresa Maciel; e a presidente da Facepe, Fernanda Pimentel.
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