Colegiado discute envelhecimento ativo e busca de qualidade de vida na 3ª idade

Em 27/04/2026
-A A+

A Comissão de Saúde da Alepe debateu em audiência pública, nesta segunda, o conceito de NOLT, New Older Living Trend, que retrata novas formas de viver da população idosa. A ideia é proporcionar maior autonomia, longevidade e participação ativa na sociedade. O encontro reuniu autoridades e especialistas para discutir o envelhecimento ativo e ampliar o diálogo sobre políticas públicas.  O deputado João Paulo, do PT, que presidiu a reunião, destacou que essa fase da vida não deve significar renúncia.

Hoje, a longevidade está cada vez mais associada à autonomia, à experiência e à vida ativa. Vemos pessoas que chegam ao 60, 70 e 80 com projetos, disposição e vontade de participar da vida social. É nesse contexto que muitas pessoas já não se definem pela idade, mas pela forma que escolhem viver.”

O geriatra Alexandre de Mattos, professor da UPE, traçou um panorama sobre o envelhecimento bem-sucedido. Ele destacou o avanço histórico da longevidade no Brasil, que passou de 35 anos em 1925, para cerca de 77 atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ele ressaltou que o envelhecimento está mais ligado ao estilo de vida do que à genética, e enfatizou fatores como amizades, conexões sociais, propósito, alimentação e atividade física como pontos centrais para viver mais e melhor. 

Mattos também abordou desafios como o etarismo, o aumento de doenças crônicas e as desigualdades sociais, já que uma rotina de cuidados pode custar caro. A fala foi corroborada por Sálvea Paiva, coordenadora do Núcleo de Articulação e Atenção Integral à Saúde e Cidadania do Idoso, da Universidade de Pernambuco. É difícil escolher ser NOLT do dia para noite quando mais de dois terços das pessoas idosas no nosso Estado precisam ser provedoras de suas famílias multigeracionais; quando a renda das pessoas idosas chega a superar o Fundo de Participação dos Municípios. E quando os indicadores de baixa ou nenhuma escolaridade incidem nos de saúde vitimizando de maneira mais trágica as mulheres negras nordestinas.”

A falta de acolhimento para os aposentados foi questionada pela fonoaudióloga Verônica Magalhães, integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa do Recife. Para ela, a longevidade ainda é um privilégio dos ricos. O trabalhador se aposenta e diz ‘vou fazer o quê?’. Porque ele só sabe fazer aquilo e morre com cinco meses porque não tinha política pública para acolher o trabalhador aposentado e dar a ele um novo rumo na sua vida.”

Representando a Secretaria de Saúde do Estado, Morgana Xavier comentou projetos de fortalecimento do protagonismo da pessoa idosa e a importância de identificar diferentes níveis de autonomia e fragilidade. Ela explicou que, na atenção primária em saúde, é utilizado um questionário para avaliar as condições dos idosos e orientar um cuidado adequado a cada perfil. É importante a gente ter sensibilidade para entender que nem toda pessoa idosa por questões biopsicossociais, econômicas e tudo que atravessa a vida de uma forma geral, vai conseguir ter sempre autonomia para tomar suas decisões e independência para executá-las.”

Morgana também citou a inauguração da Unidade Pernambucana de Atenção Especializada e Reabilitação, com capacidade para cinco mil atendimentos mensais, além de uma parceria com a Secretaria de Educação para promover ações nas escolas sobre o cuidado com os mais experientes.