A Comissão de Saúde da Alepe debateu em audiência pública, nesta segunda, o conceito de NOLT, New Older Living Trend, que retrata novas formas de viver da população idosa. A ideia é proporcionar maior autonomia, longevidade e participação ativa na sociedade. O encontro reuniu autoridades e especialistas para discutir o envelhecimento ativo e ampliar o diálogo sobre políticas públicas. O deputado João Paulo, do PT, que presidiu a reunião, destacou que essa fase da vida não deve significar renúncia.
“Hoje, a longevidade está cada vez mais associada à autonomia, à experiência e à vida ativa. Vemos pessoas que chegam ao 60, 70 e 80 com projetos, disposição e vontade de participar da vida social. É nesse contexto que muitas pessoas já não se definem pela idade, mas pela forma que escolhem viver.”
O geriatra Alexandre de Mattos, professor da UPE, traçou um panorama sobre o envelhecimento bem-sucedido. Ele destacou o avanço histórico da longevidade no Brasil, que passou de 35 anos em 1925, para cerca de 77 atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ele ressaltou que o envelhecimento está mais ligado ao estilo de vida do que à genética, e enfatizou fatores como amizades, conexões sociais, propósito, alimentação e atividade física como pontos centrais para viver mais e melhor.
Mattos também abordou desafios como o etarismo, o aumento de doenças crônicas e as desigualdades sociais, já que uma rotina de cuidados pode custar caro. A fala foi corroborada por Sálvea Paiva, coordenadora do Núcleo de Articulação e Atenção Integral à Saúde e Cidadania do Idoso, da Universidade de Pernambuco. “É difícil escolher ser NOLT do dia para noite quando mais de dois terços das pessoas idosas no nosso Estado precisam ser provedoras de suas famílias multigeracionais; quando a renda das pessoas idosas chega a superar o Fundo de Participação dos Municípios. E quando os indicadores de baixa ou nenhuma escolaridade incidem nos de saúde vitimizando de maneira mais trágica as mulheres negras nordestinas.”
A falta de acolhimento para os aposentados foi questionada pela fonoaudióloga Verônica Magalhães, integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa do Recife. Para ela, a longevidade ainda é um privilégio dos ricos. “O trabalhador se aposenta e diz ‘vou fazer o quê?’. Porque ele só sabe fazer aquilo e morre com cinco meses porque não tinha política pública para acolher o trabalhador aposentado e dar a ele um novo rumo na sua vida.”
Representando a Secretaria de Saúde do Estado, Morgana Xavier comentou projetos de fortalecimento do protagonismo da pessoa idosa e a importância de identificar diferentes níveis de autonomia e fragilidade. Ela explicou que, na atenção primária em saúde, é utilizado um questionário para avaliar as condições dos idosos e orientar um cuidado adequado a cada perfil. “É importante a gente ter sensibilidade para entender que nem toda pessoa idosa por questões biopsicossociais, econômicas e tudo que atravessa a vida de uma forma geral, vai conseguir ter sempre autonomia para tomar suas decisões e independência para executá-las.”
Morgana também citou a inauguração da Unidade Pernambucana de Atenção Especializada e Reabilitação, com capacidade para cinco mil atendimentos mensais, além de uma parceria com a Secretaria de Educação para promover ações nas escolas sobre o cuidado com os mais experientes.
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