A criação de uma vara judicial dedicada a processar e julgar organizações criminosas foi aprovada por unanimidade na Comissão de Justiça da Alepe, nesta segunda. Conforme o texto, encaminhado pelo Tribunal de Justiça do Estado, a vara será formada por 3 magistrados, que vão deliberar por maioria, tomar decisões de forma colegiada e assinar os atos decisórios de maneira conjunta.
A proposta também estabelece que haverá proteção policial aos juízes e servidores do novo agrupamento, que terá competência sobre todas as medidas pré-processuais e processuais relacionadas aos crimes e infrações penais conexas ao crime organizado, ressalvadas as competências do Juízo da Infância e Juventude e do Tribunal do Júri.
Ainda na reunião desta segunda, o projeto de lei que suspende as reintegrações de posse durante o período da pandemia voltou a ser discutido e a ter sua tramitação paralisada. O deputado Alberto Feitosa, do PSC, manifestou dúvida sobre a validade de lei estadual que trata de ordens judiciais, apesar das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, e pediu vistas da matéria.
A pedido do presidente do colegiado, a assessoria jurídica da Comissão esclareceu que o entendimento atual do STF, com vigência em todo o território nacional, é baseado em decisão liminar do ministro Barroso, a qual abrange situações específicas. Ela é limitada pelo prazo de 6 meses e é aplicável apenas a ocupações anteriores a março de 2020, urbanas e rurais, realizadas por populações vulneráveis. Por outro lado, a decisão colegiada do STF, baseada em lei do Estado do RJ, apesar de manter a validade apenas em relação às ocupações anteriores a março de 2020, é mais ampla em outros aspectos. Ela tem vigência até o fim da pandemia e é aplicável a todo tipo de ocupação.
O projeto de lei em discussão na Alepe visa replicar o que foi determinado na legislação fluminense para o caso de Pernambuco. A autora da proposição, deputada Jô Cavalcanti, do Mandato Coletivo Juntas, do PSOL, manifestou frustração com o atraso para a aprovação do projeto, que tramita há 14 meses na Casa. “Pelo STF, ele não tem efeito de vincular no Estado a não ser que seja um projeto de lei. Por isso que a gente está apresentando esse projeto de lei aqui, justamente por se tratar de uma questão de saúde, por se tratar das pessoas que vão ficar desabrigadas, correndo risco, em uma pandemia, proliferar vírus. É uma matéria que já foi discutida, rediscutida aqui. Acho que a gente fica nesse ping-pong desnecessariamente”.
Em resposta, o deputado Alberto Feitosa manteve a posição de que é necessário mais tempo para discutir a matéria. “Do outro lado também tem pais de família que vão receber uma ordem que vai ficar nesse ping-pong, como disse a deputada Jô, entre uma autoridade judiciária apresentando uma determinação e outro, de outro lado, o policial, que se cumprir a ordem descumpre a lei, se descumpre a ordem fica na mão da Justiça”. Em razão do pedido de vistas, o projeto será pautado novamente na próxima segunda-feira, dia 21.
No encerramento da reunião, a Comissão de Justiça expressou voto de pesar pela morte do ex-vice Presidente da República, ex-governador de Pernambuco, ex-senador da República e ex-deputado estadual na Alepe, Marco Maciel, falecido no último sábado, em Brasília. Antônio Moraes, do PP, apresentou um relato de quem trabalhou ao lado de Marco Maciel. “Pernambuco perde um dos melhores homens públicos deste País. Eu tive a satisfação de ser oficial de gabinete dele (…) trabalhei quatro anos com ele, uma pessoa dinâmica, trabalhador, correto, talvez o político mais correto deste País. Uma capacidade de ouvir e de trabalhar como poucos”.
O presidente do colegiado, Waldemar Borges, do PSB, lembrou que quando o pai dele teve o mandato cassado pelo AI-5, Marco Maciel, apesar de fazer parte da Arena, prestou solidariedade pessoal ao oponente político. “Então isso eu acho que revela bem o espírito de Marco Antônio Maciel. No que pese as posições divergentes, ele sabia manter o confronto político não só em um nível elevado, mas circunscrito ao debate político propriamente, não permitia que isso se confundisse com as relações de civilidade, pessoais, que é o que lamentavelmente a gente não vê acontecer hoje neste País”.
Também prestaram homenagens a Marco Maciel os deputados Tony Gel, do MDB, Diogo Moraes, do PSB, João Paulo, do PCdoB, e Joaquim Lira, do PSD.
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