Moradores pediram que prefeituras e Governo do Estado garantam habitação para quem tiver a casa removida por causa das obras na bacia do Rio Tejipió. A cobrança ocorreu em audiência pública realizada na Alepe, nesta segunda. Uma das comunidades que pode ser afetada é a do Sapo Nu, localizada no Curado, ao lado da BR-232, entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. A localidade foi uma das que mais sofreram com a destruição causada pelas enchentes de 2022.
Segundo foi informado à comunidade, a Prefeitura do Recife pretende retirar as pessoas para que seja criado um local de retenção de águas do Tejipió. Os moradores reclamam, porém, que falta diálogo no processo, e que não está previsto o recebimento de um novo imóvel, mas apenas o pagamento de auxílio-moradia. É o que aponta a moradora Eduarda Patrícia. “Então, a gente não sabe como isso vai funcionar. Quanto tempo a gente vai passar. Quanto tempo vai sair o apartamento? Então, é essa essa é a ponta de interrogação que a comunidade ainda tem. Não tem resposta nenhuma, nenhum diálogo, nenhum. Fica naquela pergunta, né? O que pode vai acontecer?”
Os moradores do entorno da bacia criaram o Fórum Popular do Rio Tejipió. Uma das reivindicações é que o Governo do Estado e as prefeituras de Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata também participem das discussões e proponham alternativas. Entidades e moradores defendem que soluções sejam pensadas para o trajeto completo do Rio, não ficando apenas em um município. O secretário executivo de Periferias do Governo do Estado, Pedro Ribeiro, afirmou que zonas limítrofes entre municípios são prioridade para a gestão estadual. Ele registrou projetos estaduais que estão sendo feitos em diálogo com as comunidades e podem ser modelo para situações como a do Sapo Nu.
“Por mais competentes que sejam nossos arquitetos e engenheiros, toda a nossa equipe técnica do Governo, quem sabe o que é viver às margens do rio é quem mora na margem do rio. Quem sabe o que é viver lá no Sapo Nu, onde a gente esteve na semana passada, é o pessoal que mora lá. E as soluções para aqueles territórios precisam, antes de tudo, serem construídas com aquelas pessoas.”
O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Rio Tejipió, deputado João Paulo, do PT, criticou a ausência das prefeituras envolvidas na discussão. Ele informou, ainda, que o grupo espera respostas oficiais do Governo do Estado em relação às intervenções na bacia do Tejipió. “Nós fizemos um pedido de informação ao Governo do Estado e o que foi aprovado aqui foi: com posse dessas informações que nós pedimos, vamos articular com os nossos vereadores, né, principalmente os vereadores de Recife, e vamos fazer uma próxima reunião lá em Tejipió, na própria comunidade, para que os informes de deste pedido de informação sejam apresentados à comunidade.”
Também participou da audiência a deputada Rosa Amorim, do PT, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alepe.
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