Frevo, maracatu, caboclinho. O clima de Carnaval oferece um leque de opções para curtir a folia. E que tal brincar com a possibilidade de ganhar um dinheirinho extra? Em tempos de crise econômica e com o IBGE indicando uma taxa de desemprego de 11,8%, essa pode ser uma alternativa para faturar uns reais.
É o que está pensando a desempregada Rosineide Silva, de 26 anos, que vende produtos de Carnaval na tradicional rua das Calçadas, no bairro de São José, coração do comércio popular recifense e sede de blocos carnavalescos. “Dá um dinheiro muito bom extra. Só basta você ter força de vontade, pra vir aqui, trabalhar e ter o seu lucro.” Comercializando fantasias feitas por ela mesma a partir de R$ 25, Rosineide espera lucrar entre cerca de R$4 mil até o final do Carnaval.
Já a empresária Roberta Cabral, de 39 anos, criou um espaço temporário na sua loja de bebês para customizar abadás. Há 15 anos ela aposta no Carnaval e, junto com mais três profissionais, está usando desta vez materiais como rendas, penas, lantejoulas, para embelezar uma média de 30 peças por dia, com preços a partir de R$ 30. “Eu poderia tirar mais se as circunstâncias econômicas do país fossem diferentes. Hoje, se a gente não trabalhar com uma média de preço que as pessoas possam pagar com tranquilidade, você não consegue ter uma demanda que vá suprir. É um plus nesse período. É algo que vai me trazer um retorno financeiro a mais.”
Trabalhar brincando com os filhos fantasiados é o que faz a alegria da maquiadora Joane Silva, de 46 anos. Com 20 anos de experiência na área, há oito carnavais ela atua no Paço Alfândega, no Bairro do Recife, com um camarim portátil. Cria maquiagens na hora, a partir de R$ 10, realizando o sonho do folião com muito brilho e pedras. “No Carnaval você coloca pra fora aquilo que quer ser. Tem gente que chega e diz: eu quero ser uma borboleta, eu quero ser uma princesa, eu quero ser um Hulk. Fantasiam, colocam todos os seus super-heróis pra fora. E eu tô lá pra realizar o sonho de todo mundo.”
E há quem também trabalhe no Carnaval para reforçar a marca e apostar no segmento dos que conciliam a folia com saúde e consciência. É o caso da administradora de empresas Natália dos Santos, de 26 anos, uma das sócias da Vegostices, uma empresa familiar de comida vegana (que não utiliza ingredientes de origem animal). Fantasiada e com uma bolsa térmica, ela vai vender iguarias no Bairro do Recife, como empadas de jambo, de berinjela, sanduíches, com preços a partir de R$ 4. Os pontos de venda vão ser divulgados pelas redes sociais, procurando atrair o consumidor consciente. “É uma comida gostosa, saudável. E a gente tá preocupado em oferecer esse serviço legal, pra esse pessoal que vai tá na folia e que não quer comer aquelas comidas que acham que estão ali muito tempo, e frituras, essas coisas mais pesadas.”
Se vale a pena se esforçar para trabalhar no Carnaval? O auxiliar José Rivaldo do Nascimento, de 46 anos, acha que sim. Ele vai vender bebidas numa barraca durante o Papangu de Bezerros, no Agreste Central, e espera faturar R$ 150 no domingo. “Vale. O primeiro dia pra mim vale. Pra mim é tudo aqui, é uma alegria também.”
A receita para ganhar dinheiro e se divertir no reinado de momo é investir na criatividade. É o que ensina a maquiadora Joane Silva. “A cultura da gente, do Carnaval, é perfeita. Dá sim, dá pra ganhar sim um dinheirinho nessa crise.”
Se você se animou e quer arriscar o passo e, de quebra, ganhar uns trocados, lá vai o site com a programação da folia: penocarnaval.com.br.
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