Os pais da fisioterapeuta Mirella Sena acompanharam a Audiência Pública da Comissão de Defesa da Mulher realizada na tarde dessa quinta, cinco de abril, na Assembleia. Há exatamente um ano, na mesma data, a vida do casal Wilson e Suely Araújo mudou de forma trágica, quando a filha Mirella foi assassinada a golpes de faca em seu apartamento, na Zona Sul do Recife. O crime bárbaro motivou a criação do Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado pela primeira vez em Pernambuco nessa quinta. Convidados pela Comissão de Defesa da Mulher para participar do evento, Wilson e Suely emocionaram o público pela maneira como transformaram a tragédia pessoal em ativismo contra o feminicídio.
Wilson explica que a própria Mirella sempre foi uma defensora dos direitos da mulher. “Ela tinha aquele espírito de guerreira, e aquele espírito de não aceitar de forma nenhuma a violência, principalmente quando se tratava de violência contra a mulher. E esse legado de amor, de cumplicidade com os amigos, com aquela forma que ele fazia amizade muito fácil, com muita gente, então, todo esse legado motivou a repercussão que tomou o caso.”
Durante a reunião, representantes da Polícia Científica e da Secretaria Estadual de Saúde apresentaram relatório preliminar com as diretrizes dessas instituições para o enfrentamento das mortes violentas de mulheres em Pernambuco. A gerente geral da Polícia Científica do Estado, Sandra Santos, explicou que os peritos estão sendo treinados para terem maior atenção aos sinais de crimes motivados por menosprezo ou discriminação à condição feminina. “Documentos rasgados da vítima, observar se tem algum animal doméstico maltratado, fotos rasgadas, ferimentos em áreas consideradas sexuais como mama, vagina, ou áreas relacionadas à beleza ou à feminilidade da vítima, muitos ferimentos no rosto.”
Tanto a Polícia Científica quanto a Secretaria de Saúde fazem parte do Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre Feminicídio criado por decreto governamental no ano passado. A equipe tem como finalidade produzir relatório com as diretrizes estaduais para investigar, processar e julgar, com perspectiva de gênero, as mortes violentas de mulheres. A coordenadora do grupo e secretária da Mulher do Estado, Sílvia Cordeiro, apresentou as estatísticas dos crimes de ódio contra a mulher. De 2016 até fevereiro deste ano, ocorreram 200 feminicídios no estado.
Durante a audiência pública, a gestora do Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco, delegada Gleide ngelo, salientou a importância da qualificação correta dos crimes. “Pra que quando tenha uma morte de uma mulher, tenha direção, foi feminicídio ou não foi? Porque as penas são bastante diferentes, então isso é importante para o direcionamento das provas, para o indiciamento correto.”
A presidente da Comissão de Defesa da Mulher, Simone Santana, do PSB, ressaltou que o Grupo de Trabalho contra o Feminicídio está elaborando procedimentos confiáveis para que o poder público possa fazer o combate eficaz desse tipo de violência. Ela também destacou que a sociedade precisa compreender melhor o feminicídio. “A gente precisa conversar sobre isso com a sociedade, a sociedade precisa se empoderar desse conceito do que é feminicídio, para que possa efetivamente enfrentar.” Já a deputada Terezinha Nunes, do PSDB, defendeu que as mulheres ocupem mais espaços de poder para serem respeitadas. Também participaram da reunião representantes do Tribunal de Justiça do Estado, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar e integrantes de entidades da sociedade civil organizada.
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