A reestruturação da Empresa de Correios e Telégrafos foi tema de uma audiência pública na Alepe nessa sexta, solicitada pela Comissão de Justiça. Os sindicalistas, acadêmicos, empresários e políticos ouvidos no encontro foram unânimes no posicionamento contrário a medidas como o fechamento de agências e a privatização da companhia.
Rinaldo Nascimento, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos em Pernambuco, o Sintect-PE, protestou contra a possível venda da estatal. “O propósito da empresa hoje, como já foi colocado nas mídias e nas imprensas, é de privatização. Então, essa é a nossa preocupação. Acho que nós temos de barrar essa privatização, porque sabemos que vai prejudicar a toda a população, vai prejudicar os trabalhadores com demissão e todos os seus familiares.”
Uma das medidas de reestruturação anunciadas pela empresa é o fechamento de agências. Em Pernambuco, um dos postos afetados é o da praia de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife. De acordo com José Ulisses Ávila, representante do setor turístico da cidade, o encerramento vai prejudicar os negócios no balneário. “Porto de Galinhas, as ruas não têm nome nem muito menos número. Então todo mundo tem que ir buscar sua correspondência na agência dos Correios. Então fecha uma agência dessa, como é que fica?”
O diretor regional dos Correios em Pernambuco, Pedro Mota, ressaltou a necessidade de rever o modelo de negócios da estatal. Mas ele defende que a empresa permaneça sob controle federal. “Nós temos que preservar. É uma empresa pública com compromisso com a integração nacional. Não podemos abrir mão dessa atuação dos Correios como entidade plenamente pública. Logicamente se moldando ao desenvolvimento do mercado, mas sem ser privatizada, permanecendo uma empresa ágil.”
Para o presidente da Comissão de Justiça, deputado Waldemar Borges, do PSB, autor da solicitação da audiência, é necessário manter o caráter público dos Correios. “No caso dos Correios, eu acho que de fato é um tipo de serviço público que se a gente deixar a lógica do mercado ser a lógica dominante, a gente corre o risco de não ter o serviço, porque os Correios estão presentes em cinco mil quinhentos e sessenta municípios brasileiros, têm mais de seis mil e quinhentas agências, e muitas dessas agências são deficitárias.”
Também participaram da audiência a deputada federal Luciana Santos, do PC do B de Pernambuco e o deputado estadual Zé Maurício, do PP.
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