Audiência debate poluição do Rio Tejipió

Em 07/04/2017
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A degradação do Rio Tejipió, na Região Metropolitana do Recife, foi tema de uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente nessa sexta. O evento foi solicitado pela deputada Terezinha Nunes, do PSDB.  O Rio Tejipió nasce  em São Lourenço da Mata e atravessa vários bairros do Recife e de Jaboatão dos Guararapes até desembocar na Bacia do Pina. Devido à poluição, no período das chuvas, o rio transborda e alaga ruas e residências.

Severino José Candeia mora há vinte e nove anos no bairro de Coqueiral, no Recife. Ele diz que hoje o Rio Tejipió é temido pela população, e explica o porquê.

 “Quando começa a chover, devido ao rio estar muito aterrado, então, o que é que acontece? Não tem lugar para onde a água escoar, e a água vai invadir os becos onde moram as pessoas, e a gente fica sem saber por onde passa. Se caso aconteça de dia, é um caso. Mas quando acontece à noite, fica todo mundo ilhado, sem saber para onde vai, pedindo socorro para A e B.” 

O Instituto Solidare é uma das organizações que atuam em defesa dos moradores da região e foi representado na reunião. O presidente do grupo, o pastor José Marcos da Silva, explica que o problema das enchentes tem se tornado mais frequente nos últimos anos.

Há quinze, vinte anos atrás, a gente tinha um alagamento a cada cinco anos. Hoje a gente teve, no ano passado, em dois mil e dezesseis, três alagamentos. E a gente concluiu que, chovendo mais de quarenta milímetros e a maré estando cheia, alaga. E aí é um transtorno, porque centenas de famílias perdem tudo, já não têm nada, quase, e aí perdem tudo.” 

Um abaixo-assinado proposto pelo Instituto Solidare já reúne mais de treze mil assinaturas, e está disponível na internet e em versão física na sede da organização. A meta é pressionar as Prefeituras de Jaboatão e do Recife a desassorear o rio e promover ações de coleta seletiva e de saneamento básico.

A entidade também vai promover no próximo dia quinze uma gincana com os jovens da região. O desafio é montar uma casa apenas com o lixo recolhido do rio. De acordo com a assistente social Géssica Dias, coordenadora do projeto Rio Limpo, Cidade Saudável, o objetivo da atividade é chamar a atenção para o problema.

Na verdade, é uma forma de dar visibilidade a tudo que está acontecendo com o Rio Tejipió a partir da juventude local que compõe também a comunidade [01:02 EMENDA COM 01:11] No dia quinze, vai ser realizada essa prova da construção da casa-lixo, a partir de todo o lixo encontrado dentro do Rio Tejipió.” 

Segundo o assessor de meio ambiente da Compesa, Waldecy Farias, já há oito estações de tratamento de esgoto no Rio Tejipió, e o lodo coletado é destinado a um aterro sanitário. Mas, de acordo com ele, é preciso que as prefeituras melhorem a rede de coleta dos detritos.

Cabe lembrar que a responsabilidade precípua para o tratamento do esgoto, a coleta do esgoto, é do ente municipal. Para isto, se faz necessário inclusive que sejam firmados contratos de concessão entre os municípios e a Compesa para que ela possa efetivamente realizar tanto a coleta quanto o tratamento desses esgotos.” 

Como encaminhamento da audiência, a deputada Terezinha Nunes propôs uma articulação com o Ministério Público estadual.

O Ministério Público se comprometendo a chamar os promotores dos municípios envolvidos para que eles participem mais ativamente desse debate, possivelmente fazendo audiência pública no Ministério Público, porque nós precisamos deles inclusive para o encaminhamento, se for o caso, de um TAC, para que os municípios se comprometam mais fortemente com o projeto.” 

A audiência teve ainda a participação de estudantes e representantes de universidades, igrejas, da OAB, do Ministério Público de Pernambuco e das prefeituras.