A criação de um curso técnico de dança e construção de uma política pública específica para essa linguagem artística estão entre as reivindicações apresentadas durante audiência pública da Comissão de Educação. O evento aconteceu na manhã dessa segunda e foi solicitado pelo Grupo Movimento Dança Recife.
O representante do Conselho Estadual de Cultura, Marcelo Sena, disse que uma das principais dificuldades do setor é a dependência do financiamento governamental. A criação de prêmios de dança foi uma das medidas sugeridas para fortalecer o mercado.
“Pensando no âmbito de política pública a gente não pode pensar o financiamento da dança apenas a partir de um fundo específico, como o Funcultura, mas pensar também em outras formas. Um prêmio ele pode, inclusive, fazer com que um grupo ou um espaço cultural possa ter uma manutenção de dois, três anos, dependendo de como esse prêmio pode ser pensado”.
Os realizadores também pediram que a dança tenha um edital específico dentro do Funcultura, a exemplo do que já acontece com o audiovisual e a música. Eles reclamaram da demora no pagamento dos cachês e do que consideram burocracia excessiva para participar dos festivais e eventos públicos.
Representante da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, Tarciana Portela, garantiu que a pasta já trabalha para alterar a lei estadual que institui regras e critérios para a contratação e apoio a eventos turísticos e culturais. O objetivo é justamente reduzir a burocracia. Sobre a criação de um edital para a dança, Tarciana esclareceu que não há previsão na lei que altera o Sistema Estadual de Incentivo à Cultura, aprovada recentemente na Alepe e que aguarda a sanção do governador. Apesar disso, a gestora considera que o mecenato estadual e a previsão de financiamento de microprojetos de até 20 mil reais, previstos na nova lei, podem facilitar a vida dos realizadores.
“Existe uma novidade no Funcultura a partir desse ano, que os recursos designados para cada linguagem não têm um processo de repasse, caso não fossem demandados, para outras linguagens. Então, isso, num certo sentido, blinda os recursos de cada linguagem.”
A formação foi outra preocupação demonstrada pelos profissionais da dança. Adriana Geres, do Projeto DDDança, reclamou da falta de professores específicos para a linguagem na Rede Estadual de Ensino. Segundo ela, outros estados, como a Paraíba, já fizeram concurso para a disciplina. Adriana observou que Pernambuco não conta com nenhuma escola de formação técnica, e apenas um curso superior, oferecido pela UFPE desde 2009. A coordenadora do curso de Licenciatura em Dança da UFPE, Fancini Barros, por sua vez, disse que os alunos com formação universitária estão tendo dificuldade para entrar no mercado de trabalho.
Presidente do Colegiado de Educação e Cultura, a deputada Teresa Leitão, do PT, anunciou que a Comissão vai apresentar pedido de informação à Secretaria de Educação sobre como estão sendo preparados os professores responsáveis pela formação em artes nas escolas públicas com relação à dança.
“Nós temos que recolocar a dança em um ambiente que forme realmente para a cidadania, e aqueles que a praticam precisam ser valorizados como profissionais”
A parlamentar disse que esta foi a primeira vez que as urgências da dança foram alvo de audiência pública e que o colegiado pretende acompanhar a mobilização da categoria.
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