O pintor suíço Paul Klee declarou certa vez que a “arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz enxergar”. Essa é apenas uma dentre as várias possibilidades de desenvolvimento humano abertas pela contemplação da arte. E, quando se fala em Brasil, os números mostram que museus e espaços culturais continuam sendo menos frequentados que salas de cinema e teatro. Como trazer mais pessoas para as galerias privadas, por exemplo, ainda encaradas como espaços de entrada paga. Fernando Neves divulga as exposições de sua galeria nas redes sociais, e reconhece a importância de uma agenda cultural. “Uma vez por mês, a gente tem um evento de música chamado ‘gerações musicais’. Sempre tem dois artistas convidados, um da geração mais nova, um da geração, não vou dizer mais velha…mas, mais experiente, que alimentam um público novo.”
Descrevendo o papel do galerista como um empreendedor de movimentos culturais, Fernando Neves tem buscado mostrar que arte é um bom investimento. “Hoje eu aposto muito no jovem, jovem que está saindo da universidade, que está com um bom padrão de vida, que não tem grandes responsabilidades ainda com a família, e que vê a vida com um olhar mais atual, mais contemporâneo, né… que vê que nem tudo é mercado, nem tudo se resume a carro novo, nem camisa bonita, e que a arte é um bem para vida toda.”
Outra qualidade da arte é a capacidade de transcender suas origens, como explica a artista plástica pernambucana Dani Acioli, que realizou exposição sobre a estilista mineira Zuzu Angel a convite da Prefeitura do Rio de Janeiro. “Eu acho que circular o trabalho é muito importante para a produção, eu acho que é a troca também entre os olhares, entre os artistas, entre as pessoas que produzem em vários cantos do mundo.”
Com mais de 40 anos de carreira e obras expostas em locais como a Pinacoteca de São Paulo, o pernambucano Renato Valle poderia não ter do que se queixar. Em mostra recente na Galeria Janete Costa, no Recife, cerca de dez mil pessoas conheceram mais de 30 obras do pintor, incluindo uma série de cinco mil desenhos. Mas, longe de se acomodar, Renato Valle defende mais investimentos em espaços culturais. “A ampliação do público amplia naturalmente o mercado, já que existe o objeto artístico à venda, principalmente nas galerias comerciais. Nós aqui temos acervos riquíssimos e não são disponibilizados devidamente ao público por conta de falta de acesso.”
Sem orçamento e política pública, museus, galerias e espaços culturais ficam desconectados do público, sem cumprir seu papel social. Essa é a opinião da arte-educadora Mariana Ratts, que têm experiência em equipamentos do Recife. “Eu evidencio a necessidade de debater sobre um trabalho para qualificar o contato do público com as artes visuais. Assegurar a continuidade de ações e pesquisas. Museus e galerias e centros culturais são espaços de representação, de memória, de debate, de questionamento, de encontros, de uma diversidade de públicos.”
A necessidade de mais investimento público nos equipamentos culturais é evidente para os profissionais da área. Tanto quanto a certeza da excelência dos artistas, galerias e museus locais, a exemplo do Instituto Ricardo Brennand, eleito melhor museu do Brasil pela plataforma de turismo TripAdvisor. Um sinal de que, no plano criativo, os profissionais da área em Pernambuco desconhecem limites…
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