Alepe debate oficialização da Rua da Guia como território da jurema sagrada no Recife

Em 17/06/2026
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O reconhecimento da Rua da Guia, no Recife, como território sagrado da jurema e patrimônio ancestral de Pernambuco foi o tema da audiência pública da Comissão de Educação e Cultura da Alepe, nesta quarta. A história da Rua da Guia tem relação com a cultura, a boemia e a devoção popular da capital pernambucana. Ficou historicamente conhecida como endereço de entidades sagradas, a exemplo da Mestra Ritinha, nome de grande importância na tradição da jurema. A juremeira Mãe Kelly falou sobre a relação com o local.

“Eu não passo com um olhar turístico. Eu passo com um olhar de fé. Com um olhar de apresentação, com um olhar de orgulho, de passar pelo mesmo lugar onde a mestra que eu trabalho, que eu incorporo, e que me faz há tantos anos feliz, saber que ela esteve lá, viva, e é viva até hoje e jamais irá morrer.”

O deputado João Paulo, do PT, que solicitou a audiência, afirmou que a Rua da Guia representa memória, ancestralidade e patrimônio cultural do povo pernambucano. É muito mais do que uma via localizada no Recife Antigo. Ela é um espaço de encontro, de celebração, de transmissão de saberes e de preservação de práticas que atravessam gerações. É justamente essa dimensão espiritual, cultural e humana que precisa ser reconhecida, respeitada e protegida.”

Durante o encontro, foram destacadas propostas legislativas de valorização das religiões de matriz africana e de combate à intolerância religiosa. A deputada Rosa Amorim, do PT, mencionou a lei estadual, originada de projeto de autoria dela, que estabelece o Dia Estadual da Juremeira e do Juremeiro. Uma data de reconhecimento daqueles e daquelas que mantêm viva uma das mais importantes expressões espirituais, culturais e identitárias do seu povo. Celebrar o povo juremeiro é reconhecer sua contribuição histórica para Pernambuco e combater séculos de invisibilização do racismo religioso.”

  Rosa Amorim informou ainda que fez uma indicação ao Governo para que a jurema sagrada seja reconhecida como patrimônio cultural de Pernambuco. Já Dani Portela, também do PT, citou o projeto de lei que propõe a inclusão do nome do líder quilombola João Batista, o Malunguinho, no Livro do Panteão dos Heróis e das Heroínas de Pernambuco – Fernando Santa Cruz. O texto já foi aprovado pela Comissão de Justiça e segue em tramitação.