Alepe debate dificuldades para escolas acolherem crianças neurodivergentes

Em 25/02/2026
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Denúncias sobre escolas municipais em Pernambuco que estariam se negando a receber crianças neurodivergentes pautaram a audiência pública realizada nesta quarta, na Alepe. O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental dos Pernambucanos. A mãe atípica e ativista da causa autista, Ana Keite, relatou a dificuldade. Uma pauta principal, que é a falta do profissional de apoio pedagógico em sala de aula.  Os nossos filhos estão tendo o seu direito negado, de entrar na sala de aula, por falta desse profissional.”

Um decreto federal do ano passado determina que escolas comuns assegurem a participação e aprendizagem de estudantes com necessidade de educação especial. Para isso, o documento estabelece que haja redes educacionais inclusivas em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino. Mas, segundo as participantes da audiência pública, a norma não está sendo cumprida, como afirmou Juliana Penha, mãe atípica e representante do Instituto Conecta pela Inclusão. Só muda o nome do município. As situações são as mesmas. Nossa briga, ela não é com apoio, ela não é com monitor, ela não é com professor, ela não é com diretor. A nossa briga é com o sistema. A nossa briga é com os responsáveis, com o Poder Executivo, que tem como fazer e não fazem porque não querem.”

A professora da rede municipal do Recife Andreza de Castro, que tem dois filhos adolescentes autistas, enfatizou os problemas enfrentados na luta para garantir os direitos dos filhos.  A gente está cansada, a gente está exausta, a gente está adoecendo. Algumas de nós estamos morrendo. Esse direito está sendo negado pelas autoridades que são colocadas nesses cargos por nós, pelas nossas famílias.”

A presidente da Associação Juntos pela Inclusão, do município do Paulista, Cristiane Oliveira, frisou que a atenção aos alunos com deficiência não deve ser apenas do profissional especializado. A pessoa com deficiência, ela é uma pessoa que é de responsabilidade de todas as pessoas que formam a comunidade escolar, seja ele do porteiro ao gestor da escola. Então, todos devem saber sobre inclusão, letramento, como se referir à pessoa com deficiência.”

Ela ainda reivindicou a representação paritária entre governo e sociedade civil no segmento de educação especial, no Conselho Estadual de Educação. O representante da Gerência de Políticas Educacionais de Educação Inclusiva, da Secretaria Estadual de Educação, Marcelo Santos, informou algumas medidas adotadas pela pasta. O Governo do Estado vem ampliando cada vez mais a contratação desses profissionais, desses professores, como vem ampliando também a contratação dos profissionais de apoio. E a gente também vem ampliando a qualificação e formação.”

  O coordenador da Frente Parlamentar, deputado Joel da Harpa, do PL, sugeriu um encontro com a Amupe,  Associação Municipalista de Pernambuco, para cobrar as gestões municipais em relação ao acesso à educação especial. Para que através da Amupe também a gente possa chegar aos demais municípios e fazer essa cobrança pela Amupe. Porque, se a gente for fazer isso de município em município, nós teremos uma grande dificuldade.” Joel da Harpa informou, ainda, que as demandas apresentadas na audiência pública serão encaminhadas ao Ministério Público e ao Governo do Estado.