A escravidão digital e o futuro do trabalho são discutidos por Frente Parlamentar

Em 08/10/2019
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O movimento dos trabalhadores deve se reinventar e aglutinar forças para lutar contra a precarização do mundo do trabalho. A proposta foi feita pelos professores Everaldo Gaspar e Carlo Consentino durante a reunião da Frente Parlamentar sobre os Impactos da Quarta Revolução Industrial em Pernambuco, nesta quarta, na Alepe.

Pesquisador da área do Direito do Trabalho, Gaspar contextualizou as mudanças ocorridas na sociedade a partir das evoluções tecnológicas e citou como exemplo o setor bancário que, segundo ele, perdeu mais de 70% de sua mão de obra para a automação e a terceirização. Segundo o professor, a luta contra o processo de precarização do trabalho tem que ser feita a partir de uma redefinição do movimento sindical. “É preciso que o sindicalismo tenha essa noção de que é preciso juntar todos eles para uma luta simultânea, que seja ela emancipatória, de uma mudança política, e também uma mudança efetiva que deve se dar concretamente, que nós chamamos de luta reivindicativa”.

Na mesma linha, o professor Carlo Consentino demonstrou preocupação com as condições a que são submetidos os trabalhadores da chamada economia 4.0. Ele afirmou que as novas tecnologias chegaram com a mensagem de que iriam melhorar a vida das pessoas. No entanto, provocaram o que ele chama de intensificação da exploração do trabalhador.

Coordenador da Frente Parlamentar que organizou as palestras, o deputado João Paulo, do PCdoB, avaliou que o evento possibilitou o encontro da produção científica da universidade com a realidade da classe trabalhadora. Para o parlamentar, os avanços tecnológicos têm levado trabalhadores à condição de escravos digitais.