
SAÚDE – Parlamentares e representantes do Governo participaram da audiência na Comissão de Saúde. Foto: Cecília Nascimento
A apresentação do relatório sobre a gestão estadual na área de saúde pela secretária Zilda Cavalcanti, realizada em audiência pública na quarta (10), gerou também um debate entre parlamentares sobre a qualidade da gestão do setor no mandato da governadora Raquel Lyra.
Representantes da bancada governista destacaram as medidas de requalificação de grandes hospitais e descentralização de atendimento no interior. Deputados da oposição questionaram a secretária em relação ao montante de investimentos na saúde e à demora nas obras realizadas pela atual gestão.
Elogios

GOVERNO – Deputada Socorro Pimentel destacou a requalificação de hospitais da Região Metropolitana. Foto: Cecília Nascimento
Líder do governo na Alepe, a deputada Socorro Pimentel (PSD) destacou a reforma e requalificação de grandes hospitais da Região Metropolitana.
“A prioridade da governadora Raquel Lyra em reformar e requalificar os seis grandes hospitais da Região Metropolitana é algo histórico. Um hospital como o Otávio de Freitas tem 80 anos e em nenhum momento recebeu uma requalificação tão robusta”, exemplificou a parlamentar.
A deputada também destacou a abertura de novas maternidades e UTIs neonatais, especialmente na sua região, o Sertão do Araripe.
Joãozinho Tenório (PSD) ressaltou a evolução do gasto per capita em saúde pelo Governo de Pernambuco, que foi de R$ 238 por habitante em 2021 para R$ 368 em 2026, considerando o primeiro quadrimestre de cada ano.

ATENDIMENTO – Joãozinho Tenório citou os impactos do Hospital da Mulher de Caruaru para o Agreste. Foto: Cecília Nascimento
“É o maior investimento per capita em saúde da história de Pernambuco. Sou da região do Agreste, e vejo o exemplo do Hospital da Mulher de Caruaru, em que a governadora teve coragem de enfrentar os problemas e abrir esse hospital, que tem mudado a vida das mulheres da região”, salientou o parlamentar.
Na reunião, também elogiaram o trabalho da secretária Zilda Cavalcanti os deputados Luciano Duque (Solidariedade), Pastor Cleiton Collins (PP) e João Paulo do PT (PT).
Críticas
Já deputados da bancada de oposição questionaram a prioridade que a área de saúde vem recebendo na atual gestão.

PAULISTA – Junior Matuto criticou o atraso na inauguração do Hospital Central Nossa Senhora de Aparecida. Foto: Cecília Nascimento
A secretária mostrou que houve a aplicação de R$ 2,17 bilhões em recursos do próprio Tesouro Estadual no primeiro quadrimestre de 2026, o equivalente a 15,5% da receita líquida total do Estado – o mínimo de gastos com saúde determinado pela Constituição Federal é 12%.
“Logo após a pandemia, o investimento em saúde chegou a quase 19% da receita líquida. Mais de R$ 1,5 bilhão deixou de ser investido para melhorar o atendimento da saúde de todos os pernambucanos”, apontou o deputado Rodrigo Farias (PSB). O mesmo questionamento foi feito pelo deputado Romero Albuquerque (PSB) e pelo presidente da Comissão de Saúde, Sileno Guedes (PSB).
Sileno Guedes também questionou o encerramento dos partos de alta complexidade na maternidade do Hospital Regional Inácio de Sá, em Salgueiro (Sertão Central).

RECIFE – Eriberto Filho defendeu a definição de um novo local para o Hospital Getúlio Vargas. Foto: Cecília Nascimento
“O serviço foi fechado e as gestantes são obrigadas agora a serem transferidas para fazer o procedimento em Petrolina, porque no hospital de Salgueiro já não existe mais esse atendimento”, apontou o parlamentar do PSB, que também fez ressalvas à estratégia de distribuição de leitos, que incluiu o fechamento de alguns estabelecimentos no início da gestão.
Outra crítica foi em relação ao atraso na inauguração do Hospital Central Nossa Senhora de Aparecida, em Paulista (Região Metropolitana) por atraso na licitação da organização social que vai gerir o equipamento, destacada por Junior Matuto (Republicanos). Eriberto Filho (PSB) cobrou a definição de um novo local para o Hospital Getúlio Vargas, na Zona Oeste do Recife. Já Dani Portela (PT) demonstrou preocupação com um possível critério político na escolha dos municípios atendidos pelas Carretas da Mulher.
Respostas
Em resposta aos questionamentos da oposição, a secretária Zilda Cavalcanti afirmou que os anos de pandemia distorcem a comparação com a porcentagem de receita revertida para a saúde no período atual. “O ponto mais fora da curva é 2022, em que o percentual para saúde foi de 18,8%, quando o investimento histórico do Estado percentualmente em cima da receita fica em torno de 15% desde 2015”, justificou.

SECRETÁRIA – Zilda Cavalcanti apresentou o relatório quadrimestral e respondeu aos questionamentos. Foto: Cecília Nascimento
A secretária reconheceu problemas no caso de Salgueiro. Segundo Zilda, isso ocorreu por conta do não preenchimento de vagas disponibilizadas pelo Governo Estadual, mesmo após tentativas de seleção simplificada para o estabelecimento, especialmente para médicos obstetras.
Além disso, ela informou que houve atrasos na licitação para escolha da organização social que irá gerir o Hospital Central em Paulista, mas que o estabelecimento já será inaugurado em junho deste ano.
Sobre o novo local do Hospital Getúlio Vargas, a secretária informou que o Governo “está construindo uma saída” para a questão, enquanto vem realizando manutenções e requalificações na estrutura atual.
Em relação a um possível uso político das Carretas da Mulher, ela sustentou que as escolhas obedecem a critérios objetivos, como tamanho da população, necessidade de deslocamento e a logística necessária para a operação da unidade móvel. E disse que a chegada do serviço depende da concordância do gestor local.
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