A secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, apresentou os dados dos primeiros quatro meses de 2026 no setor à Comissão de Saúde da Alepe. Ela destacou as reformas e estruturação de atendimentos de alta complexidade da rede estadual, e respondeu a questionamentos de parlamentares sobre o fechamento de leitos e a magnitude dos investimentos na sua área durante a gestão da governadora Raquel Lyra.
A apresentação do relatório ao Legislativo estadual cumpre a exigência da Lei Complementar Federal nº 141/2012, que obriga o Poder Executivo a prestar contas quadrimestralmente sobre investimentos e ações no Sistema Único de Saúde (SUS).
A secretária mostrou que houve a aplicação de R$ 2,17 bilhões em recursos do próprio Tesouro Estadual no primeiro quadrimestre de 2026, o equivalente a 15,5% da receita líquida total do Estado – o mínimo de gastos com saúde determinado pela Constituição Federal é 12%. Além disso, a rede estadual recebeu nesses quatro meses cerca de R$ 1,36 bilhão de recursos federais do SUS e de outras fontes.

INVESTIMENTO – Zilda Cavalcanti destacou as reformas realizadas pelo Governo nos grandes hospitais do Estado. Foto: Cecília Nascimento
Zilda Cavalcanti destacou a evolução do gasto per capita em saúde desde 2022, que aumentou de R$ 238,03 por habitante no primeiro quadrimestre de 2021 para R$ 368,65 per capita no mesmo período de 2026.
Confira a apresentação da secretária
Com isso, segundo a secretária, foi possível, por exemplo, continuar a série de reformas de grandes hospitais e a abertura de novas maternidades e UTIs neonatais, entre outros investimentos. Ela também destacou a redução da espera para exames como tomografia e ressonância magnética, entre outros, com algumas das gerências regionais da secretaria chegando a zerar a fila em alguns períodos, segundo Cavalcanti.
Debate
A reunião também teve questionamentos de parlamentares sobre a evolução dos gastos em saúde na gestão da governadora Raquel Lyra.

QUESTIONAMENTO – Rodrigo Farias ressaltou que o Estado investiu mais em saúde durante a pandemia. Foto: Cecília Nascimento
“Logo após a pandemia, o investimento em saúde chegou a quase 19% da receita líquida. O valor disso dá mais de R$ 1,5 bilhão que deixou de ser investido na saúde para melhorar o atendimento de todos os pernambucanos”, apontou o deputado Rodrigo Farias (PSB). O mesmo questionamento foi feito pelo presidente da Comissão de Saúde, Sileno Guedes (PSB).
Em resposta, a secretária Zilda Cavalcanti afirmou que os anos de pandemia distorcem a comparação com a porcentagem de receita revertida para a saúde no período atual.
“O ponto mais fora da curva é 2022, que foi o que o deputado usou como referência agora a pouco para comparar com o ano atual, em que o percentual para saúde foi de 18,8%. Absolutamente fora da curva do que é o investimento histórico do Estado percentualmente em cima da receita, que fica em torno de 15% desde 2015”, justificou.
Outros deputados da bancada de oposição na Alepe também questionaram a gestão de leitos do atual do governo, voltando a perguntar sobre o fechamento de centros hospitalares realizados no início da atual gestão. A secretária, em contrapartida, defendeu a estratégia iniciada por ela em 2023, garantindo que o número de vagas operacionais aumentou no período, e que elas estão com uma distribuição mais descentralizada pelo Estado.

PANDEMIA – Sileno Guedes também salientou a redução no investimento em comparação com a crise da covid 19. Foto: Cecília Nascimento
Zilda Cavalcanti reconheceu problemas em alguns casos específicos, como no caso do Hospital Regional Inácio de Sá, em Salgueiro (Sertão Central), que deixou de atender partos de alta complexidade, devido à falta de profissionais, principalmente obstetras e pediatras. Segundo a secretária, isso ocorreu por conta do não preenchimento de vagas disponibilizadas pelo Governo Estadual, mesmo após tentativas de seleção simplificada.
Além disso, ela informou que houve atrasos na licitação para escolha da organização social que irá gerir o Hospital Central Nossa Senhora Aparecida, em Paulista, na Região Metropolitana, o que impediu o início das atividades do estabelecimento, mesmo após mais um ano da aquisição do equipamento pelo Governo.
Por outro lado, salientou que estão em andamento as obras de cinco novas maternidades e do Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns (Agreste Meridional), bem como do novo prédio do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru (Agreste Central).
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