Audiência pública debate segurança no transporte público

Em 03/06/2026 - 15:22
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VIOLÊNCIA – Mário Ricardo defendeu a atenção do poder público ao tema. Foto: Roberta Guimarães

A segurança dos motoristas de transporte público em Pernambuco foi debatida em audiência pública das comissões de Desenvolvimento Econômico e Segurança Pública da Alepe, nesta quarta (3). Realizado por iniciativa do deputado Mário Ricardo (Podemos), o encontro reuniu representantes da segurança pública, trabalhadores, empresas e usuários para discutir medidas de enfrentamento à violência no sistema de transporte coletivo.

Na abertura, o parlamentar destacou a importância dos profissionais para a mobilidade urbana e afirmou que o encontro buscava subsidiar ações e políticas públicas voltadas à proteção da categoria.

“A segurança dos motoristas de coletivos é um tema que merece atenção do poder público e de toda a sociedade. Esses profissionais desempenham um papel essencial para mobilidade urbana, garantindo diariamente o deslocamento de milhares de pernambucanos, muitas vezes enfrentando situações de violência, ameaças e insegurança durante o exercício de suas atividades”, disse.

Representando a Secretaria de Defesa Social (SDS), o coronel Alexandre Tavares apresentou dados da Força-Tarefa Coletivos, criada em 2017 para combater crimes no transporte público. Segundo ele, o número de assaltos a ônibus caiu de 1.409 registros em 2017 para 358 em 2025, enquanto, até maio de 2026, haviam sido contabilizados 128 casos. 

DADOS – O coronel Alexandre Tavares destacou a redução no número de ocorrências no transporte. Foto: Roberta Guimarães

O gestor atribuiu a redução às ações integradas envolvendo as polícias Militar e Civil, setores de inteligência e entidades ligadas ao transporte público. Ele também destacou operações realizadas em terminais integrados para combater desordens e infrações comportamentais, além da centralização das investigações de assaltos a coletivos nas delegacias seccionais.

“Além dos combates aos assaltos, a gente também trabalha combatendo essas infrações dentro do sistema de transporte público justamente para dar a sensação de segurança e mostrar que o transporte público é ordenado. O cidadão comum, de bem, que usa o transporte e o sistema de forma correta, pode fazer uso do sistema sem passar por situações, no mínimo, constrangedoras”, pontuou.

Questionamentos 

Os dados apresentados pela SDS foram questionados pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco (Sintro-PE), Roberto Carlos. Ele reconheceu avanços, mas defendeu uma atuação mais próxima entre o órgão de segurança e os trabalhadores e comentou a sobre uma significativa subnotificação de ocorrências, já que muitos passageiros deixam de registrar boletins de ocorrência por medo ou falta de confiança no atendimento policial. 

O dirigente também sugeriu a retomada de blitzes de abordagem em ônibus e relatou a influência de facções criminosas em algumas áreas, citando episódios recentes de violência no bairro do Ibura, no Recife.

RODOVIÁRIOS – Roberto Carlos reivindicou mais segurança nos ônibus. Foto: Roberta Guimarães

“Hoje, quarta-feira, tem uma equipe minha no Ibura porque os ônibus estão proibidos de chegar até o terminal. Como é que pode? Nesse exato momento, os ônibus estão indo até um determinado lugar e de lá, o usuário tem que andar mais de 1km a pé. Isso é inadmissível, a gente ter uma facção comandando o transporte público e eles ainda dão um toque de recolher. Vejam como é que ficam o motorista e a sociedade: à mercê”, denunciou. 

A representante dos usuários, Renilda Accioly, também questionou a efetividade dos números apresentados pelos órgãos públicos e relatou situações de insegurança enfrentadas diariamente por passageiros e trabalhadores. 

Ela citou problemas recorrentes em terminais e linhas de ônibus, como superlotação, agressões a motoristas, evasão de tarifa e deficiência no atendimento policial, defendendo maior presença das forças de segurança e mais atenção às demandas de usuários e profissionais do sistema. 

“A gente não acredita mais em solução, entramos no ônibus pedindo para Deus nos proteger. A SDS sempre vem com esses números mas, para a gente, usuário, isso não tem muito efeito porque na prática não sentimos isso. A dificuldade que a gente tem com a Polícia Civil é fora do normal”, exclamou.

USUÁRIOS – Renilda Accioly (esquerda) relatou situações de insegurança nos coletivos. Foto: Roberta Guimarães

Setor

Representando o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Pernambuco (Urbana-PE), Bernardo Braga afirmou que a violência no transporte coletivo está associada a desafios mais amplos da mobilidade urbana, como o crescimento do transporte individual e dos acidentes com motocicletas. Ele destacou que a frota de ônibus conta com monitoramento por câmeras integrado à SDS e alertou para a queda de cerca de 50% no número de passageiros entre 2012 e 2025. 

Como encaminhamento, foi anunciada a criação de um grupo de trabalho para analisar a situação e verificar como aplicar medidas de fiscalização e apoio policial aos ônibus.