A defesa da obra do Canal do Sertão, que prevê levar água do rio São Francisco para o oeste pernambucano, motivou audiência pública da Comissão de Agricultura da Alepe, nesta terça. Segundo a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, o projeto está em fase de estudos, aquisição de terras, implantação de infraestrutura básica e medidas de proteção ambiental, executadas pela Codevasf. O presidente do colegiado de Agricultura, deputado Luciano Duque, do Podemos, considera a obra uma das três principais para o desenvolvimento de Pernambuco, ao lado da duplicação da BR-232 e da ferrovia Transnordestina. Ele alertou, no entanto, que a iniciativa deve ser acompanhada por outros investimentos.
“Ela precisa estar integrada a políticas públicas, assistência técnica, crédito rural, distribuição de insumos, apoio à produção. E é essa visão estratégica que precisa de fato guiar este debate. O desenvolvimento do estado de Pernambuco passa pelo desenvolvimento dessa região.”
O Canal do Sertão deve beneficiar municípios como Petrolina, Afrânio, Dormentes, Santa Filomena, Santa Cruz, Ouricuri, Trindade, Araripina, Ipubi, Bodocó, Granito e Exu, entre outros. O potencial agrícola da região foi ressaltado no encontro. O secretário executivo de Saneamento de Pernambuco, Artur Coutinho, destacou que seriam mais de 200 mil hectares irrigados. “Justamente ali no São Francisco e no Araripe, em resumo, Pernambuco tem aí um potencial para 10, 12 Petrolinas.”
O deputado Eriberto Filho, do PSB, frisou que o Canal vai ser importante para potencializar o polo gesseiro e a fruticultura. “O Canal do Sertão pode permitir que os agricultores tenham condição de plantar o ano inteiro, aumentar a produtividade e fortalecer a pecuária. Impulsionar novos investimentos para o interior do estado. É uma obra que dialoga diretamente com segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e combate às desigualdades regionais.”
O ex-deputado estadual Antonio Fernando, representante do Sertão do Araripe, informou que o custo aproximado de execução é de R$7 bilhões, com geração de R$15 bilhões por ano, após a conclusão da obra. “Tem possibilidade de toda essa região ter, além da produção de alimentos, ter também água para consumo humano e animal, onde aboliria o carro-pipa. Hoje, às vezes, se gasta R$ 500 milhões em cada ano com carro-pipa.”
O secretário Artur Coutinho levantou a possibilidade de uma PPP, parceria público-privada, para facilitar o financiamento da obra. O deputado Jarbas Filho, do PSD, apoiou a união de forças entre Alepe, Governo de Pernambuco e União, para viabilizar o Canal e sugeriu a criação de um grupo de trabalho. A líder do Governo, Socorro Pimentel, também do PSD, anunciou que vai criar uma Comissão Especial em defesa do Canal do Sertão. “E hoje a região, talvez, que tenha maior dificuldade nessa questão hídrica seja o Sertão do Araripe. O Canal do Sertão será uma realidade. E nós vamos juntar as forças, o esforço que for preciso, para a gente tornar isso uma realidade para o nosso povo, para o nosso desenvolvimento.”
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