As fortes chuvas que atingiram municípios da Região Metropolitana, Zona da Mata e Agreste na última sexta (1º), deixando seis mortos, repercutiram na reunião plenária desta segunda (4). Os parlamentares se solidarizaram com as vítimas das enchentes e deslizamentos e avaliaram a atuação do Governo do Estado e das prefeituras diante da tragédia. Também cobraram investimentos e políticas públicas de proteção à população mais vulnerável aos desastres ambientais.

ENCHENTES – Socorro Pimentel destaca mobilização do Governo em áreas afetadas pelas chuvas em PE. Foto: Roberto Soares
A líder do governo, Socorro Pimentel (PSD), destacou a pronta mobilização do Estado. Segundo a parlamentar, houve resposta rápida e articulada, com atuação integrada da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e rede de assistência social. Ela ressaltou a presença da governadora Raquel Lyra nas áreas afetadas e a adoção de medidas emergenciais.
“O povo de Pernambuco merece respeito e soluções eficazes para que, ano após ano, as populações dos municípios afetados não estejam mais vulneráveis, fragilizadas e amedrontadas com esse período mais chuvoso do ano”, enfatizou.
Áreas de risco

DESIGUALDADE – João Paulo do PT cobra ações estruturantes para proteger população que vive em áreas de risco. Foto: Roberto Soares
João Paulo do PT (PT) cobrou ações estruturantes para minimizar os impactos das chuvas, que atingem principalmente as comunidades periféricas. O parlamentar cobrou prioridade para ações de prevenção e anunciou a criação de um projeto de lei que torna o Programa Guarda-Chuva, implementado por ele à época em que foi prefeito do Recife, uma política de âmbito estadual.
“Nenhum desses milhares de desabrigados e dessas seis vítimas morava em bairros de rico ou classe média. Todos eram da periferia, moravam em morros ou nos alagados. Em sua maioria, pessoas pretas, todas da classe trabalhadora. Isso não é coincidência; é, mais uma vez, a prova de que só há tragédia porque há desigualdade social. Porque, por falta de moradia, as pessoas se arriscam em áreas vulneráveis e não recebem do poder público a proteção adequada”, constatou.
Na mesma linha, Dani Portela (PT) lamentou as mortes provocadas pelas enchentes e criticou a ausência de políticas públicas estruturais de prevenção e reparação a eventos climáticos extremos.

PLANEJAMENTO – Dani Portela critica ausência de políticas públicas de prevenção a desastres climáticos. Foto: Roberto Soares
A parlamentar também destacou o que classificou como racismo ambiental, afirmando que as populações mais vulneráveis, que vivem em áreas de risco, são as mais atingidas.
“Ninguém mora e vive em área de risco porque quer. Isso é falta de planejamento urbano e de uma política séria de moradia estruturada que não empurre as pessoas para as margens e periferias”, pontuou.
‘Tragédia anunciada’
Rosa Amorim(PT) pediu urgência na apresentação de ações estruturadas pelo poder público. Para ela, “essa não foi apenas uma tragédia natural, essa foi uma tragédia anunciada”. A petista contou ter visitado alojamentos na cidade, onde mais de 600 pessoas encontram-se abrigadas.

AUXÍLIO – Rosa Amorim apresenta projeto de lei para aumentar o aluguel social em casos de desastres ambientais. Foto: Roberto Soares
Segundo Rosa, é preciso celeridade para resolver o problema das encostas, evitando que mais pessoas morram em municípios como Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda, frequentemente afetados pelas chuvas. Além disso, ela pediu providências para solucionar os prejuízos causados a Goiana, na Mata Norte.
“Estou apresentando um projeto de lei para elevar o valor do aluguel social de R$ 350 para R$ 1 mil, em casos de desastres ambientais, como esse que a gente presenciou. Porque, diante da emergência, não basta lamentar a dor das famílias, é preciso agir”, anunciou a deputada.
Em aparte, Renato Antunes (Novo) criticou a Prefeitura do Recife: “É triste ver que o Recife gastou R$ 609 milhões em publicidade e eventos, e apenas R$ 250 milhões com drenagem.”
Macrodrenagem
Sileno Guedes (PSB) defendeu o aumento de investimentos em ações estruturais. O parlamentar ressaltou a importância do trabalho integrado de órgãos como a Defesa Civil e das equipes de assistência social e saúde. O deputado também destacou a necessidade de ampliação dos investimentos voltados à retirada de pessoas de áreas de risco, de intervenções em encostas e, sobretudo, à ampliação da macrodrenagem das cidades.

SOLUÇÕES – Sileno Guedes pede investimentos do Estado para minimizar efeitos das chuvas no Estado. Foto: Roberto Soares
“Ainda há uma dívida social, uma exclusão e uma desigualdade muito grande em nossas cidades e a gente precisa que os gestores públicos tenham esse compromisso de continuar investindo onde efetivamente precisa investir”, externou.
Já Jarbas Filho (PSD) exaltou a atuação do Governo do Estado. O parlamentar destacou a ação junto aos municípios, que permitiu a realização de medidas de acolhimento, como a abertura de abrigos, o atendimento de assistência social e a oferta de alimentação adequada para os atingidos, por meio das cozinhas solidárias.

REAÇÃO – Jarbas Filho elogia Raquel Lyra por resposta rápida e ação integrada com municípios frente às chuvas. Foto: Roberto Soares
“Desde as primeiras horas da sexta-feira, a governadora Raquel Lyra esteve pessoalmente à frente das ações, acompanhando a situação junto à Apac e aos órgãos de defesa civil, demonstrando compromisso, liderança e sensibilidade com o povo pernambucano”, enalteceu.
Ele ainda salientou que, ao longo de seu mandato, a governadora Raquel Lyra ampliou significativamente os investimentos em obras de contenção de encostas, saindo de R$ 1 milhão para R$ 444 milhões. Por fim, solicitou a realização de obras de dragagem do Rio Tejipió, na Região Metropolitana, que, segundo ele, não vêm sendo executadas pela Prefeitura do Recife.
Segurança

SEGURANÇA – Izaías Régis faz apelo à governadora por mais efetivos no 9º BPM de Garanhuns. Foto: Roberto Soares
Izaías Régis (PSD) repercutiu a autorização do Governo do Estado para nomear 2.157 policiais militares . O parlamentar reconheceu avanços na segurança pública de Pernambuco, mas pediu urgência no reforço do efetivo policial para conter a criminalidade, especialmente no 9º Batalhão da Polícia Militar de Garanhuns, responsável por 15 municípios do Agreste Meridional.
“Essa é uma necessidade que existe há vários e vários anos. É um apelo da população e tenho certeza de que a governadora vai atender”, afirmou. Régis ainda externou preocupação com o aumento do consumo de drogas entre jovens e menores de idade, e ressaltou a importância de combater o tráfico.

POLICIAMENTO – João Paulo Costa pede implantação de posto policial na Zona Rural de Bodocó. Foto: Roberto Soares
João Paulo Costa (PT) anunciou ter apresentado uma indicação pedindo o reforço da segurança no município de Bodocó, no Sertão do Araripe. O apelo dirigido à Secretaria de Defesa Social e ao comando geral da Polícia Militar pede a instalação de um posto policial permanente no distrito de Sipaúba e a retomada da patrulha rural na região.
“A população tem vivido momentos de terror com o aumento da criminalidade, especialmente no roubo de motos em estradas vicinais”, relatou o petista. “Peço que o Governo coloque como prioridade do programa Juntos Pela Segurança a implantação desse posto e as rondas ostensivas permanentes para garantir a segurança da população de Bodocó”, expressou.
Trabalhadores
No tempo de comunicação de lideranças, João Paulo do PT voltou à tribuna para destacar o 1º de maio como um marco de luta histórica da classe trabalhadora. Ex-dirigente sindical, o deputado enfatizou que as garantias atuais foram fruto de intensas batalhas do povo.
“Vieram da luta do movimento operário muitos direitos que hoje fazem parte do mundo democrático. O direito ao salário mínimo, ao 13º, a férias, o direito ao voto feminino e à previdência social. Todos eles foram fruto da luta da classe trabalhadora. Sem o movimento operário, sua luta, sangue e suor, o capitalismo não teria concedido nenhum desses direitos”, afirmou.
O petista também criticou o que chamou de “ofensivas neoliberais” de gestões anteriores, como a de Temer e Bolsonaro, além do atual governo argentino de Javier Milei, acusando-os de precarizar o trabalho e retirar direitos. Em contraste, elogiou o governo Lula pela retomada da valorização do salário mínimo e pela busca em acabar com a escala de trabalho 6×1.
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