Frente da UPE debate crise estrutural com servidores e estudantes

Em 15/04/2026 - 11:44
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DEBATES – Seminário reuniu comunidade acadêmica para discutir melhorias na universidade. Foto: Cecília Nascimento

A Frente Parlamentar em Defesa da Universidade de Pernambuco (UPE) da Alepe realizou nesta terça (14) um seminário para discutir a crise estrutural enfrentada pela instituição e ameaças ao seu funcionamento. O debate, comandado pela deputada Rosa Amorim (PT) com a presença da comunidade acadêmica, marcou o início de uma mobilização em busca de soluções urgentes para a universidade, que possui campi espalhados do Litoral ao Sertão.

A urgência da autonomia universitária, especialmente na questão financeira, pautou as discussões. A reitora Maria do Socorro e a deputada Rosa Amorim explicaram que a dependência de liberações do Poder Executivo e a falta de previsibilidade orçamentária impedem o planejamento e causam o sucateamento estrutural da UPE.

“Autonomia universitária não significa afastamento do controle público e sim garantir condições adequadas para que a universidade cumpra sua missão de formar pessoas, produzir conhecimento, atender as demandas da sociedade e contribuir para o desenvolvimento de Pernambuco e do País”, explicou a reitora. 

Servidores

A desvalorização dos servidores técnicos e dos docentes da instituição também foi debatida. O professor Sérgio Campelo apresentou dados sobre a estagnação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) dos docentes, demonstrando que a defasagem salarial está causando fuga de profissionais qualificados e um índice de rotatividade de quase 21% entre os servidores.

DADOS – Professor Sérgio Campelo abordou defasagem salarial e evasão de servidores. Foto: Cecília Nascimento

Em relação aos professores, Campelo explica que existe um gargalo na carreira que impede a progressão, o que acaba levando docentes a mudarem para instituições com melhores planos de carreira. Outro problema atinge o quadro de servidores técnico-administrativos, onde há rotatividade extrema em consequência dos baixos salários. Segundo Sérgio Campelo, a situação atual é ainda pior pela falta de realização de concursos.

“Eu não tenho concursados para chamar porque a validade do último concurso acabou. Então, aquela rotatividade está se transformando em vacância, as pessoas continuam saindo, as aposentadorias continuam chegando e a gente sequer consegue chamar alguém”, revelou.  

Dificuldades

ASSISTÊNCIA – Auxiliadora Campos aponta insuficiência de bolsas e dificuldades de permanência estudantil. Foto: Cecília Nascimento

No âmbito estudantil, a precariedade da assistência e as dificuldades de permanência guiaram os debates. Estudantes e gestores lamentaram a escassez de bolsas e a ausência de Restaurantes Universitários, apontados como itens básicos para garantir que o aluno não abandone o curso. A dificuldade de custear o transporte intermunicipal também foi apontada como um dos motivos de evasão na UPE.

A gerente de Assistência Estudantil da universidade, professora Auxiliadora Campos, explicou que recentemente houve um pequeno avanço em relação ao setor, mas que não atende às necessidades reais dos discentes. “Conseguimos avançar um pouco. Existe uma política hoje, mas existe aquém do necessário. Nós temos algumas bolsas de permanência, bolsa alimentação, bolsa moradia e bolsa deslocamento. Mas para tudo é uma procura muito grande e uma oferta muito pequena”, lamentou. 

Passe Livre

Para enfrentar o cenário, Rosa Amorim destacou uma iniciativa do seu mandato para ampliar o Passe Livre aos estudantes universitários. “Nós criamos um projeto de lei que é estender não só para os estudantes da rede pública de ensino, mas para todos os estudantes dos institutos das universidades públicas. Nós achamos que é um avanço possível, extremamente viável e que não pesa nem um pouco no bolso do Estado”, concluiu a coordenadora-geral da Frente. 

COORDENADORA – Rosa Amorim defende mobilização e ampliação do Passe Livre. Foto: Cecília Nascimento

Durante o ato, os participantes criticaram a ausência de representantes da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti), fato entendido como um sintoma do descaso governamental. A representante da Seção Sindical dos Docentes da UPE, Terezinha Lucas, repreendeu a atitude da gestão estadual. “Isso é um descaso. O governo de Pernambuco desdenha do servidor. Cadê a Secti aqui nessa mesa para trazer a fala do governo?”, cobrou.

Como desdobramento imediato do seminário, a Frente Parlamentar anunciou que iniciará rodadas de escuta presencial em todos os campi do interior, com agendas já confirmadas nas unidades de Palmares e Garanhuns. A meta é produzir um dossiê detalhado das necessidades de cada campus e entregá-lo como instrumento de cobrança ao Executivo. 

Também estiveram presentes no seminário o vice-reitor da UPE, professor José Roberto; os deputados João Paulo e Dani Portela, ambos do PT; a representante da União dos Estudantes de Pernambuco, Evellyn Paiva; o ex-deputado federal Paulo Rubem; o ex-vereador de Olinda, Marcelo Santa Cruz e vários outros representantes do corpo técnico, docentes e estudantes da UPE.