Ações que integrem municípios na proteção aos motoristas de aplicativo são defendidas

Em 25/03/2026
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A gente não quer virar nome de lei, não. A gente não quer que mate um monte de motorista aí. A gente quer que isso seja prevenção. A gente não quer morrer para virar lei. A gente quer que se faça algo antes disso acontecer.”

Relatos de insegurança como o da motorista de aplicativo Thayza Gabriela, representante do grupo Elas na Direção, marcaram o debate da Comissão de Segurança Pública da Alepe, nesta quarta. O encontro foi promovido para debater a violência enfrentada pela categoria. Os participantes repercutiram casos como o de Victor Dantolli, morto em um assalto na Zona Norte do Recife, no dia 3 de março, e de Eduardo Luiz da Cruz, assassinado em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, na véspera da audiência pública. Ambos perderam a vida enquanto trabalhavam.

O deputado João Paulo, do PT, enfatizou a necessidade de políticas públicas que integrem os municípios. A corrida não para na linha do município. O risco também não. Por isso, a resposta não pode ser fragmentada. Se o problema é metropolitano, a resposta também precisa ser metropolitana.”

Ele citou o programa “Vigia Mais”, do Governo do Mato Grosso, que integra câmeras de segurança com monitoramento 24 horas para prevenir e solucionar crimes. A iniciativa recebeu apoio do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo em Pernambuco, como explicou Anderson Câmara. Outros estados têm, por que aqui a gente não pode ter? O Estado do Mato Grosso, ele disponibiliza esse aplicativo sem custo nenhum. Ele dá o código-fonte, para ser operado aqui, sem custo nenhum.

O coronel José Mário Canel informou que a Polícia Militar de Pernambuco já estuda o programa “Vigia Mais”. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Entregadores de Moto e Bicicleta por Aplicativo, Rodrigo Lopes, sugeriu uma integração entre governo e plataformas. A SDS junto com as empresas, elas podem sincronizar os dados, e, aí, a gente tem como mapear o índice, aonde vem acontecendo esses assaltos, latrocínios. Nós, que estamos na pista, estamos dentro dos grupos de Whatsapp, a gente que sabe todos os pontos, estamos dispostos a construir.”

O rápido crescimento da categoria e a necessidade de uma regulação foram abordados pelo gerente do Centro Integrado de Operações de Defesa Social, coronel Alexandre Tavares. Ele destacou que nos chamados recebidos pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros a prioridade é o atendimento de crimes contra a vida, crimes graves contra o patrimônio e violência contra a mulher. A gente não pode criar uma ferramenta que possa priorizar um segmento de forma aleatória e que vá prejudicar o cidadão comum, que também precisa do atendimento de emergência.”

Enquanto a taxa de resolução de roubos e furtos em Pernambuco é de pouco mais de 5%, nos casos envolvendo motoristas de aplicativos, o índice supera os 25%. O delegado da Polícia Civil, Paulo Gustavo Gondim, atribuiu o resultado à articulação da categoria e reforçou a importância de acionar as forças de segurança. Registrem os boletins de ocorrência porque, através desse registro de ocorrência é possível traçar o que nós chamamos de mapa, pino de calor, que é o que orienta inclusive, a Polícia Militar no lançamento do efetivo.”

O deputado Joel da Harpa, do PL, destacou que em setembro do último ano foi realizada uma audiência pública com o mesmo tema. Hoje voltamos ao debate, nesta Casa, a fim de acompanhar as medidas já executadas e discutir de forma efetiva ações concretas. Eu gostaria de agradecer o serviço da Polícia Militar e dizer que, enquanto deputados, nós iremos continuar cobrando, mas reconhecemos o esforço que vem sendo feito em várias áreas aí da nossa sociedade.”

Os deputados anunciaram uma reunião para ouvir as representações das empresas de transporte por aplicativo, no dia 8 de abril.