Uma audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da População LGBTQIAPN+ celebrou, na última quinta, os 24 anos do Movimento LGBT Leões do Norte. O presidente da organização não-governamental, Marcone Costa, destacou a trajetória de dificuldades e resistência da entidade, pioneira no estado na luta pelos direitos do segmento. Ele sugeriu que a comunidade amplie o diálogo com outros grupos.
“A gente precisa também que todos e todas, a população LGBT que esteja aqui presente, que a gente faça esse trabalho miudinho de fazer diálogo. A gente não vai avançar a política LGBT em Recife ou em qualquer parte do estado de Pernambuco só dialogando com nossos pares.”
Os integrantes do Leões do Norte Jânio Barreto e Rildo Veras cobraram do Governo do Estado a produção de dados mais aprofundados sobre a população LGBTQIAPN+, além de melhorias na capacitação dos agentes públicos e a interiorização dos serviços especializados. O coordenador da Frente Parlamentar, deputado João Paulo, do PT, destacou a importância de se criar um espaço na Alepe para debater o tema.
“Quando propusemos a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da População LGBTQIAPN+, atendíamos a um chamado urgente da sociedade civil e dos movimentos sociais. Pernambuco segue entre os estados com maiores índices de violência contra a população, figurando como sétimo do País em assassinatos de pessoas trans em 2024.”
A deputada Dani Portela, do PSOL, lamentou o aumento LGBTfobia em Pernambuco. Segundo a parlamentar, foram 80 casos registrados em todo o ano de 2024 contra 75 apenas no primeiro semestre deste ano. Já Rosa Amorim, do PT, pediu que a comunidade seja incluída no orçamento do Estado.
“Nós estamos aqui para debater a participação da nossa comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho, para garantir que a nossa comunidade tenha direito à saúde, à cultura, à dignidade de vida. E isso nós não faremos sem estarmos inseridas dentro do orçamento do estado de Pernambuco e do País.”
A entrega do relatório final da Conferência Estadual de 2025, realizada em agosto, foi cobrada pelo presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas LGBTQIAPN+, Henrique Eduardo Silva. Ele ressaltou que a conferência é o principal momento de escuta das demandas do segmento. “Nós não temos nem o relatório da Conferência Estadual, porque o gestor não consegue sentar com o movimento e fazer o mínimo, que é apresentar o relatório final para que pudéssemos apresentar para vocês, à sociedade LGBTQIAPN+ do Estado, com todas as propostas que foram tiradas de todo o estado de Pernambuco.”
Como encaminhamento da audiência, a deputada Rosa Amorim sugeriu o envio de um pedido de informação ao Poder Executivo sobre orçamento e políticas públicas LGBTQIAPN+. Já o deputado João Paulo pediu que a entrega dos documentos seja feita sem a necessidade de uma solicitação oficial. Representantes do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife também participaram do encontro, além da vereadora do Recife Jô Cavalcanti, do PSOL, e de integrantes de movimentos e organizações sociais.
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