Reforço no atendimento a diabéticos no Estado é cobrado na Alepe

Em 17/11/2025
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A necessidade de uma linha de cuidados para evitar complicações em pacientes com diabetes no estado foi discutida em audiência pública da Comissão de Saúde da Alepe, nesta segunda. Segundo dados do Atlas da Diabetes 2025 apresentados no debate, enquanto o tratamento de um paciente recém diagnosticado custa 1,5 mil dólares ao ano, as complicações multiplicam esses gastos por três, além de comprometer a capacidade de trabalho e a qualidade de vida. A presidente da organização Vozes do Advocacy Diabetes e Obesidade, Vanessa Pirolo, destacou a falta de acesso a especialistas, principalmente oftalmologistas e endocrinologistas. 

Eu sei que existe um esforço para melhorar o acesso a especialistas, mas nós temos 30 mil pessoas esperando para ter acesso a especialistas aqui no Estado e elas estão ficando o que? Cegas, desnecessariamente. Se a gente  sabe que em Pernambuco estão cadastradas no sistema 10.402 pessoas com diabetes, e que mais de 11 mil pessoas estão esperando por endocrinologista, a gente não pode continuar com esses números aqui.”

 Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional Pernambuco, Fábio Moura, o quantitativo de médicos especialistas é insuficiente para garantir todos os atendimentos, já que a doença atinge 10% da população total do estado.  Ele defendeu a estratificação dos cuidados,  associada à formação da equipe da assistência. O paciente mais simples, o paciente recém-diagnosticado, o paciente sem complicações ele tem que ser atendido no serviço básico. O paciente com diabetes tipo 2 mais complexo deve ser encaminhado para o especialista. Implicação prática: eu tenho que educar o médico, e não só o médico, mas a equipe multidisciplinar lá na ponta para atender esse paciente”.

Outro ponto defendido pelo médico foi a taxação de alimentos prejudiciais, como refrigerantes, e imposto zero para aqueles que devem ser priorizados, como frutas e legumes. Representante da Secretaria Estadual de Saúde, a diretora-geral de Linhas de Cuidado Assistenciais, Ana Paula Lucena, relatou incremento nas consultas e ampliação das cirurgias bariátricas, além de ações como a oferta de diálise peritoneal, que pode ser feita em casa, e as caravanas da hipertensão. Ana Paula também defendeu o fortalecimento da atenção primária.

Que a atenção primária deixe de ser meramente a porta de entrada de um doente, que ela seja parte efetiva da construção desse processo de linha de cuidado. A linha de cuidado ela vai da atenção primária até a atenção especializada. Se a gente não cuida lá na ponta, a gente fragmenta a linha e não era esse o objetivo, era justamente o oposto disso.

Também participaram da audiência pública representantes do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde, Sociedade Brasileira de Diabetes e Conselho Estadual de Saúde.