A Comissão de Saúde e a Comissão Especial em Defesa dos Profissionais da Enfermagem decidiram cobrar do Governo do Estado um cronograma para as obras de reestruturação dos hospitais Getúlio Vargas e da Restauração, ambos no Recife. Esse foi o principal encaminhamento da audiência pública realizada pelos dois colegiados nesta terça, na Alepe, com o objetivo de buscar soluções para os problemas de infraestrutura e superlotação nas unidades.
Em 2022 foram registrados diversos casos de desabamento de forro no Hospital da Restauração. O surgimento de rachaduras no Getúlio Vargas, em julho deste ano, somou-se a esses episódios. Além disso, pacientes e profissionais que trabalham nas duas unidades relatam superlotação, escassez de medicamentos e suprimentos hospitalares, além da falta de assistência para acompanhantes, conforme relatou a vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco, Thaise Torres.
“Estamos vendo situações assim de catástrofes, situações de cenário de guerra. A gente percebe que a superlotação realmente é um dos principais ‘maus’ que nós temos hoje nas duas unidades. A gente vê problemas de estrutura que estão de fato deixando esses prédios em situações de condenação.”
Thaíse registrou que, por conta dos problemas, o Conselho de Enfermagem interditou eticamente o exercício da atividade no HGV, em 2019, e no HR em 2022, medidas que foram anuladas posteriormente pela Justiça. Ela relatou também presença de roedores e insetos no refeitório e em locais de repouso dos enfermeiros. A cobrança por melhorias foi reforçada por parlamentares e representantes de outros órgãos, entre eles o Sindicato dos Enfermeiros e dos técnicos e assistentes de enfermagem, e o Conselho Estadual de Saúde.
A secretária executiva de Gestão Estratégica e Coordenação Geral da Secretaria Estadual de Saúde, Bárbara Florêncio, respondeu os questionamentos. A gestora informou que a reforma dos dois hospitais é “prioridade” desde o início do Governo, mas apontou dificuldades burocráticas e as ocasionadas pela forma como a atual gestão encontrou as unidades, segundo ela sem que houvesse sequer a planta baixa.
“A gente está finalizando os projetos para que possa passar para a fase de licitação e, pós licitação, iniciar as obras. Lembrando, né, que são obras complexas de serem realizadas porque os hospitais, eles não podem ser fechados para que as obras venham a ser realizadas.”
A gestora da Secretaria de Saúde também descartou a possibilidade de desabamento no Hospital Getúlio Vargas, apesar das rachaduras e da utilização de escoras. “A gente tem a diretoria de infraestrutura da secretaria que é composta por diversos engenheiros, onde todos eles atestam que não há risco do prédio Getúlio Vargas desabar, assim como isso também é atestado pela Defesa Civil e pelo próprio Crea, que é o conselho responsável e que eles acompanham isso.”
Presidente da Comissão Especial em Defesa dos Profissionais da Enfermagem, o deputado Gilmar Júnior, do PV, informou que todas as falas registradas na audiência vão ser transformadas em um relatório a ser apresentado ao Governo do Estado. “Também vamos solicitar, vamos fazer um ofício requerendo ao Governo do Estado explicações oficiais sobre toda essa problemática identificada pelos serviços, vamos solicitar também um cronograma de atividades, o planejamento para reestruturação desses hospitais, não somente do Getúlio e do HR que foram tema da audiência pública, mas mas para toda a rede estadual de saúde aqui de Pernambuco.”
A sugestão para que os colegiados solicitem do Governo o cronograma completo das reformas foi feita pelo deputado Sileno Guedes, do PSB. Também participaram da audiência Dani Portela, do PSOL, Rosa Amorim e João Paulo, ambos do PT, e Luciano Duque, do Solidariedade.
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