Alepe vai a Caruaru e discute políticas culturais do Ciclo Junino

Em 19/06/2023
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Artistas e gestores se reuniram para debater o Ciclo Junino de Pernambuco em audiência pública realizada pela Comissão de Educação da Alepe, na manhã dessa segunda, na Câmara de Vereadores de Caruaru, no Agreste Central. Em pauta, estiveram reivindicações como a valorização do trabalho dos artistas, a necessidade de aperfeiçoamento de editais e outros marcos legais relacionados aos festejos juninos, bem como a construção de políticas públicas efetivas para o setor. 

A deputada Rosa Amorim, do PT, autora do requerimento para a realização da audiência, reivindica a necessidade de políticas públicas que beneficiem todos os artistas ligados ao ciclo junino. Não existe São João sem um trio pé de serra, sem uma banda de pífano, sem uma quadrilha. Então, o que a gente entende dessas reivindicações desses artistas é uma maior valorização desses artistas para fazer um São João no qual a gente tem uma cultura popular mais valorizada, eles que abrilhantam o ciclo junino do nosso Estado de Pernambuco.” 

Além disso, a parlamentar levantou o debate sobre a desigualdade histórica no pagamento de cachês e também ressaltou a importância da transparência na distribuição dos recursos entre os artistas. Na mesma linha, o deputado Waldemar Borges, do PSB, presidente da Comissão de Educação, ressaltou a responsabilidade dos gestores na organização de eventos mais democráticos e inclusivos. A gente espera que esse debate ele se multiplique na sociedade e que a gente vá, cada vez mais, aperfeiçoando esse ciclo de festa junina, no sentido de que haja um tratamento igualitário, em relação à distribuição dos recursos públicos e também que haja uma valorização das expressões mais de raiz como se diz das nossas manifestações culturais juninas.”

O vereador Professor Jorge Quintino, do PTB, também pediu a valorização da cultura local no contexto junino. Ele defende que 70% dos recursos sejam direcionados exclusivamente para artistas locais. Humberto Botão, representante do Conselho Municipal de Cultura de Caruaru, também ressaltou a necessidade de ajustes, já que as atrações regionais são maioria, mas recebem os menores cachês. 

O secretário Executivo de Cultura de Pernambuco, Leo Salazar, explicou que o governo estadual não possui um polo específico na programação do São João, mas apoia as prefeituras. Já a Fundação de Cultura de Caruaru, apesar de ter sido convidada, não enviou representante à Audiência Pública.

Vice-Prefeito de Gravatá, Júnior Darita, argumentou que é preciso instituir um ambiente de incentivo contínuo aos artistas. Ele revelou que nem sempre os artistas conseguem aprovar projetos, devido às exigências documentais. Essa também foi a queixa da presidente da Federação das Quadrilhas Juninas de Pernambuco, Michelly Miguel, que relatou as dificuldades enfrentadas pelos grupos. Na maioria das vezes não tem coberta, então, se chover, a quadrilha vai dançar na chuva. A questão da qualidade de som, que também é importante, o pagamento, que demora muito. E, para além disso,  tem a questão da contratação em si, que é a questão documental, porque assim é uma quantidade de documentos que, às vezes, vai empatar da pessoa ser contratada, da quadrilha ser contratada.”

Eva Gomes, assessora jurídica que acompanha grupos de cultura popular, ressaltou a importância de revisão dos editais relacionados ao ciclo junino para que respondam aos princípios da administração pública, como eficiência e transparência. A deputada Rosa Amorim informou que um relatório sobre os debates vai ser entregue aos gestores para servir de auxílio no aprimoramento das políticas públicas municipais. Para mais informações, acesse www.alepe.pe.gov.br