Deputados da bancada federal de Pernambuco participaram da reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Transnordestina, nesta segunda, na Alepe. Em pauta, ações para a retomada da construção do ramal Salgueiro-Suape da Ferrovia. Realizar a obra é uma decisão política do Governo Lula, de acordo com os convidados presentes. Eles também entendem que foi uma decisão política do Governo Bolsonaro que excluiu a linha até Suape.
O deputado federal Carlos Veras, do PT, disse que sequer teve acesso ao estudo técnico apontando a inviabilidade econômica alegada. Ele enfatizou a importância de garantir a conclusão da obra, em um modelo com o menor impacto possível sobre as comunidades afetadas. “É possível fazer essa obra dialogando com todo mundo. O que a gente não pode é perder o ramal de Salgueiro até Suape. A gente precisa fazer essa obra e precisa levar em consideração as demandas das comunidades, e nós estamos fazendo isso e vamos fazer”.
Embora a defesa do ramal até Suape seja uma unanimidade da bancada pernambucana, o deputado Lucas Ramos, do PSB, pontuou a necessidade de uma atuação coordenada. Túlio Gadelha, da Rede, sugeriu reunião conjunta de parlamentares com a governadora Raquel Lyra. Vice-líder do Governo Lula, a deputada federal Maria Arraes relatou coleta de assinaturas para uma Frente em Defesa da Transnordestina também na Câmara Federal.
Assessor da Frente da Transnordestina na Alepe, o consultor legislativo Mauro Carneiro apresentou alternativas possíveis para a retomada da obra conforme estudos da Consultoria Legislativa: por concessão federal, chamamento público, concessão estadual por delegação ou retomada dos trabalhos pela própria empresa concessionária TLSA até a conclusão do processo licitatório. O deputado federal Augusto Coutinho explicou que a assinatura do contrato com a mineradora Bemisa para explorar o terminal de minérios do Porto de Suape, no ano passado, fez parte do esforço do ex-governador Paulo Câmara de garantir a construção depois que a TLSA entregou o ramal de Suape.
De acordo com o parlamentar, a Bemisa tem interesse de assumir a Transnordestina em Pernambuco. Para o deputado federal Pedro Campos, do PSB, a forma mais produtiva de tratar do tema é buscar o apoio dos demais estados envolvidos. “Acredito que o Nordeste tem que estar unido para cobrar que a Transnordestina saia para todos, para o Piauí, para o Ceará, para Pernambuco. É esse o esforço que a gente faz na Frente Parlamentar em Defesa do Nordeste, e também é dessa forma que a gente vai tratar o tema em uma audiência pública que acontecerá na Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, onde a gente vai trazer também os atores nacionais que estão discutindo essa questão para discutir a solução para a Transnordestina como um todo, para poder ser visto como um projeto de integração e não de divisão da nossa região”.
Representantes de comunidades afetadas pela implantação da linha pediram atenção com os recursos para indenizar áreas desapropriadas. Também foram ouvidos representantes do setor produtivo do Pólo gesseiro, de produtores do Sertão do Araripe, representantes de órgãos de classe como engenheiros, ferroviários e metroviários. O deputado Fernando Monteiro, do PP, considerou uma oportunidade de aproximar a população das bancadas.
Coordenador da Frente Parlamentar da Alepe, o deputado João Paulo, do PT, garantiu que haverá uma reunião só para ouvir as entidades da sociedade civil. No próximo encontro, agendado para 29 de maio, os convidados são os ministérios dos Transportes e do Desenvolvimento Regional, Dnit e Valec Engenharia. João Paulo também registrou que os três senadores de Pernambuco não puderam comparecer à reunião desta segunda, mas justificaram a ausência.
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