O registro de três incidentes com tubarões na Região Metropolitana do Recife, no intervalo de apenas 20 dias, motivou uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa, nesta terça. O debate foi promovido pelas comissões de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Econômico e reuniu pesquisadores, gestores públicos, parlamentares e representantes de organizações da sociedade civil.
A secretária estadual de Meio Ambiente, Ana Luíza Ferreira, listou providências que já foram adotadas, como a compra de novas placas de sinalização para as praias e o reforço das equipes de guarda-vidas, em parceria com as prefeituras. Além de ações emergenciais, ela destacou medidas de médio e longo prazo em torno de três eixos: Educação ambiental, retomada das pesquisas científicas e retorno do monitoramento das praias.
“A gente tá diante de um problema complexo não só do ponto de vista ambiental, mas muito sob o ponto de vista social. No final das contas a gente não tem como falar de nenhuma ação do Governo sem a gente lembrar que a gente está diante de um estado em que 50% vive abaixo da linha de pobreza e cerca de 20% vivem abaixo da linha de miséria”.
A secretária elencou uma série de propostas levantadas durante as reuniões do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, Cemit. Desde bandeirolas sinalizadoras das condições de maior perigo, como maré alta e lua cheia, até a ampliação da rede de esgoto, construção de oceanário e de alternativas de lazer para a faixa de areia. Também há planos de adquirir repelentes para proteger a vida dos bombeiros. Um edital com um milhão de reais para pesquisas está para ser lançado, com recursos da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e do CNPq.
O coordenador do SAMU, Leonardo Gomes, sugeriu a implantação de um serviço de resgate aéreo, incluindo um heliponto no Hospital da Restauração.
Disponibilizar o acervo existente nas universidades em espaços de educação ambiental montados na praia e promover atividades educativas nas escolas foram propostas da pesquisadora Ilka Branco, do Laboratório de Oceanografia Pesqueira da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Ela pediu a retomada das pesquisas, já que muitos dados existentes hoje ainda se referem ao trabalho realizado com o Barco Sinuelo, de 2004 a 2014, sob a coordenação do professor Fábio Hazin, morto por covid em 2021.
“A impressão que eu vejo da população é que todo mundo acha que a gente tem um mar repleto de tubarões na costa do Recife. E os dados de captura do Protuba não demonstraram isso. Naquela época, o que a gente tem de informação científica: os animais se aproximavam da costa, da nossa linha de praia, em função do relevo e de toda a degradação ambiental que a gente já vem falando aqui. Pra mim a única medida efetiva mesmo é a educação ambiental”.
O deputado Rodrigo Novaes, do PSB, que presidiu a reunião, ficou de levar ao Cemit propostas de testar telas ou sistemas para repelir tubarões por ondas eletromagnéticas, defendidas em falas colhidas durante a audiência. Outro encaminhamento foi pedir ao comitê um assento para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alepe, atualmente o deputado Romero Sales Filho, do União.
“É fundamental que a gente possa ouvir especialistas, o Cemit, os órgãos responsáveis, e que o Poder Legislativo possa contribuir com esse debate, e que a gente possa avançar concretamente, objetivamente. Que a gente realize os estudos, as pesquisas, que são fundamentais para que a gente possa avançar com inteligência, mas também que tomar medidas a partir do que a tecnologia nos oferece, que a ciência nos aponta, para que a gente consiga evitar que essas mortes aconteçam em nosso estado.”
A Audiência pública contou, ainda, com representantes das secretarias de Turismo e de Ciência e Tecnologia, prefeituras do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, CPRH, Ministério Público de Pernambuco, e do biólogo convidado André Maia.
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