Novos estagiários receberam as boas-vindas da Assembleia Legislativa, nesta terça, durante o seminário de abertura do programa Alepe Acolhe. A iniciativa é voltada para adolescentes entre 14 e 17 anos, que estão no Cadastro Nacional de Adoção. Ao atingir a maioridade, esses jovens terão que deixar os abrigos mantidos pelo poder público. Oferecer uma vivência inicial no ambiente de trabalho é o propósito do projeto, de acordo com o primeiro-secretário da Alepe, deputado Clodoaldo Magalhães, do PV.
“Hoje a gente tem um desemprego médio no Recife, na Região Metropolitana, de 17%, por exemplo, mas no jovem isso vai na casa de 25 a 27%. Então, por quê? A grande dificuldade é que eles não têm nada na carteira de trabalho, não têm experiência nenhuma. Mas a gente aqui está dando essa oportunidade exatamente de eles terem uma oportunidade de trabalho e já chegarem para o mercado com essa carteira esquentada”.
O evento desta terça recepcionou a segunda turma do Alepe Acolhe. A iniciativa é fruto de uma parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco. Na primeira etapa, em 2019, oito vagas foram oferecidas. Com o retorno dos trabalhos presenciais na Assembleia, o convênio foi ampliado para 20 oportunidades e a idade mínima foi reduzida, de 16 para 14 anos. Além de vivenciar tarefas nos vários setores da Alepe, os participantes terão acesso a cursos promovidos pela Escola do Legislativo, como português e informática. Eles ainda recebem uma bolsa no valor de 500 reais por mês.
Matheus Almeida, de 17 anos, falou sobre o que espera conseguir com a experiência. “Dar um futuro melhor para a minha família, ajudar nas despesas da casa, quem sabe ter um aprendizado melhor ainda, né?”
A chance de gerenciar o próprio dinheiro é outra vantagem do programa, na avaliação da coordenadora da Casa Pequeno Nazareno, em Itamaracá, na Região Metropolitana, Vanessa Rodrigues. “Muitas vezes, na maioria delas, os meninos, esses meninos que entram através de estágio ou da área de aprendizagem são os primeiros ou os únicos até na família a ter uma carteira assinada. Então, existe um impacto dele sair lá do espaço para ir trabalhar, no final do mês ter o seu recurso, e, junto com a gente, ir administrando essa parte financeira”.
O presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros, do PSB, lembrou que o projeto recebeu o prêmio nacional Assembleia Cidadã na última conferência da Unale e faz parte do esforço da Casa de aproximação com a sociedade. “Essa parceria com o Tribunal de Justiça e a Escola do Legislativo dá uma demonstração de que nós estamos cada vez mais procurando, além de humanizar as leis, fazer também ações que possam se aproximar da sociedade pernambucana”.
O seminário de abertura teve a participação do secretário estadual de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas, Cloves Benevides, representantes do Tribunal de Justiça e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude. O evento também teve palestras, como a apresentação sobre o que é uma Assembleia Legislativa, feita pelo consultor legislativo Daniel Sarinho.
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