Frente do Cooperativismo fecha ciclo de escutas setoriais e foca em políticas públicas para o setor

Em 13/12/2021
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No encerramento do ciclo de escutas setoriais, a Frente Parlamentar em Defesa do Cooperativismo recebeu representantes de entidades do setor de infraestrutura. O papel do segmento na distribuição e manutenção de serviços de eletrificação, em especial na zona rural, foi tema central de debate. O presidente da Federação das Cooperativas de Energia e Desenvolvimento de Pernambuco, Fecoerpe, Jurandi Araújo da Silva, destacou que Pernambuco é o único estado do Nordeste com cooperativas de energia em funcionamento, contando atualmente com 12 unidades e 70 mil associados. O dirigente explicou que elas monitoram o fornecimento de eletricidade aos sócios.
Além disso, conforme um acordo firmado em 2012, a concessionária de energia é obrigada a prover manutenção até o medidor, cabendo às cooperativas assumir o serviço desde o medidor até o ponto final, dentro das propriedades rurais.  Jurandi adiantou que o próximo desafio das cooperativas é atuar no setor de energia solar. Fizemos uma parceria com uma empresa grande, sediada em Pernambuco, que é a Insole Energia Solar S.A., e estamos praticamente começando. Começamos a conversar no final de 2019, mas logo em 2020 iniciou-se a pandemia e a gente ficou, durante esse tempo, engatinhando. Mas é uma grande tarefa que nós temos pela frente, e as nossas cooperativas estão se adaptando, se engajando e entendendo e estamos começando um novo ciclo em que, acredito, vamos ter muito êxito.
Em nome da Cooperativa de Energia, Comunicação e Desenvolvimento do Alto de Afogados da Ingazeira, Eraldo Bezerra sugeriu a pactuação de convênios entre as cooperativas e o poder público para a execução de projetos de infraestrutura.
O coordenador da Frente, deputado Waldemar Borges, do PSB, solicitou informações adicionais sobre parcerias que poderiam ser firmadas entre o Estado e as cooperativas. Ele também reconheceu que a energia solar pode ser um elemento importante para a redução de custos de produção e colocou o grupo à disposição para construir uma política voltada ao tema, estudando restrições legais e possíveis fontes de financiamento. Então investir nisso é fundamental.  Digo isso para afirmar que um desafio nosso é ver de que maneira, o que seria, objetivamente, uma política estadual de incentivo à produção de energia solar pelas cooperativas, sobretudo para atender ao pequeno e médio produtor.
Representando a Organização das Cooperativas do Brasil, Malaquias Anselmo comentou que o cooperativismo nunca teve a oportunidade de estar tão em evidência junto ao Poder Legislativo estadual quanto agora, por iniciativa da Frente. Ele mencionou estados do Sul e do Sudeste que possuem políticas consolidadas de desenvolvimento com base no apoio ao cooperativismo, e afirmou que essas experiências poderiam ser replicadas em Pernambuco.
O que talvez nos falte aqui, e eu acho que estamos em um bom começo, é que a gente possa pensar em algumas políticas públicas concretas em que o Governo do Estado possa demonstrar e apoiar as cooperativas. Por exemplo, eu vejo a questão da agricultura para merenda escolar, isso é um política do Governo do Estado, que poderia dar uma prioridade com referência às cooperativas (…). Acho que, a partir daí, a gente deixa de procurar brechas e passa a atuar fortemente como uma ação de governo no suporte e apoio a cooperativas.
O deputado Waldemar Borges concordou que as boas experiências podem ser replicadas no Estado e encaminhou a sequência do diálogo entre a Frente Parlamentar e as cooperativas para 2022.