Audiência pública discute implantação da Escola de Sargento do Exército em Abreu e Lima

Em 02/12/2021
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A Comissão de Meio Ambiente da Alepe promoveu audiência pública, nesta quinta, para discutir a implantação da Escola de Sargento de Armas do Exército em Pernambuco, anunciada, recentemente, pelas Forças Armadas. Pelo projeto, a unidade ocupará cerca de 140 hectares na Área de Preservação Ambiental Aldeia-Beberibe, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. Os participantes do debate pleitearam uma construção coletiva da proposta. 

Segundo o comandante da 7ª. Região Militar, general Carlos Machado, o Exército pretende que o novo colégio seja “modelo de sustentabilidade no Brasil”. De acordo com ele, ainda não há definição exata do terreno a ser utilizado, mas a área não deve ultrapassar 0,5% do território da Área de Preservação Ambiental e 2% da mata do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti, área de proteção sob tutela militar. “O plano mestre do empreendimento será desenvolvido com uso totalmente racional do espaço e com o mínimo impacto ambiental. Uma utilização de tecnologia de reuso e reutilização da área, utilização de sistema de 100% de tratamento de esgoto. Todas as edificações serão sustentáveis”. 

Presidente do Conselho Gestor da APA Aldeia Beberibe, Cinthia Lima ressaltou que a  área reúne o principal remanescente deste bioma em Pernambuco e, por isso, é preciso destacar a relação de sua preservação com a segurança hídrica da região. “Preservar os recursos hídricos, sobretudo os tributários do reservatório Botafogo, que justamente estão nessa área. O rio Catucá – todas as nascentes dele estão dentro da mata do Cimnc, e é ele que abastece a barragem de Botafogo”.

Para o presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, Herbert Tejó, é preciso garantir a participação da sociedade civil na discussão da proposta. “É uma pena que o Governo do Estado de Pernambuco não dialogue nem com o Conselho Gestor da APA, quiçá com a sociedade individualmente. Porque esse projeto, como foi o Arco Metropolitano, não foi em sua fase de discussão sequer mencionado dentro do conselho gestor por organismos formais do Estado”. Segundo ele, há alternativas possíveis para o empreendimento que trarão menores impactos. 

Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Wanderson Florêncio, do PSC, a realização deste primeiro debate demonstra que o Colegiado está cumprindo o seu papel. “Eu acho que a Comissão de Meio Ambiente cumpre seu papel quando ela busca trazer horizontalidade nas informações. Acho que todos nós saímos com as informações de como se encontra este projeto, qual fase está, dando a todos a condição de refletir e interagir”.  

O parlamentar ainda sugeriu a realização de outras audiências públicas, em 2022, para a apresentação de novas definições da proposta. A codeputada Carol Vergolino, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, disse que é contra “um desenvolvimento promovido a partir do desmatamento de 150 hectares de mata nativa”.  Já o deputado Antônio Moraes, do PP,  registrou o trabalho do Exército na defesa e fiscalização da mata do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti