
DADOS – “Autoridades e especialistas do próprio Governo asseguram que hoje temos mais de 40% da floresta devastada”, frisou José Queiroz. Foto: Roberto Soares
Declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro sobre o meio ambiente provocaram debate na Reunião Plenária desta terça (16). Em pronunciamento no Pequeno Expediente, o deputado José Queiroz (PDT) criticou o chefe de Estado brasileiro por afirmar que mais de 90% da Amazônia estaria preservada e que a floresta não pegaria fogo por ser úmida. O deputado Alberto Feitosa (PSC), por sua vez, elogiou o líder da nação por “não se curvar” às determinações impostas por países europeus, que esconderiam interesses econômicos.
“As autoridades e os especialistas do próprio Governo asseguram que hoje temos mais de 40% da Amazônia devastada”, enfatizou Queiroz, rebatendo as declarações dadas por Bolsonaro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “A gente não quer acreditar que o presidente tenha coragem e ousadia de mentir internacionalmente e agredir a inteligência brasileira”, emendou.
O parlamentar comentou, ainda, a fala do presidente no Bahrein, onde sustentou que o Brasil “se comportou muito bem” no combate à Covid-19. “Ele é um negacionista que dificultou a compra de imunizantes e, até hoje, não quer tomar vacina. Seus erros custaram 600 mil vidas”, afirmou. Na avaliação do pedetista, Bolsonaro é “ridicularizado” pela imprensa internacional. O discurso recebeu o apoio dos deputados Teresa Leitão (PT), Diogo Moraes (PSB) e João Paulo (PCdoB).
“Nós deveríamos, na verdade, agradecer a este Governo que enfrenta as nações que, por interesse econômico, querem dificultar o aumento da produção de proteínas e de grãos no Brasil”, contra-argumentou Alberto Feitosa. Na opinião dele, países da Europa – entre os quais, a Alemanha – não podem exigir medidas de preservação do Brasil, visto já terem extinguido a maior parte de suas florestas.
“O desmatamento naquele continente cresceu 69% nos últimos tempos, mas não vemos essa notícia sendo repercutida na mídia brasileira”, criticou o deputado. “Nosso presidente defende o que é nosso”, emendou. Em resposta a questionamentos de parlamentares sobre sua imunização, Feitosa afirmou ter apresentado “laudo médico de 85 páginas à Casa explicando por que não deveria tomar vacina”.
Lula

INTERESSES – “Deveríamos agradecer ao presidente por enfrentar nações que querem dificultar o aumento da produção do Brasil”, rebateu Alberto Feitosa. Foto: Roberto Soares
Feitosa ainda comentou os aplausos de membros do Parlamento Europeu recebidos pelo ex-presidente Lula nesta semana. A cena foi enaltecida por José Queiroz e João Paulo, mas rejeitada pelo parlamentar do PSC. “Lula precisou ir para a Europa porque leva vaias ao andar pelo Brasil”, provocou, afirmando se tratar de um público formado por “esquerdistas defensores da política ambiental”.
Para ele, o petista é reconhecido internacionalmente como “o chefe do maior esquema de corrupção do mundo”. Também seria lembrado por declarações contrárias ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Feitosa citou, por fim, falas do ex-presidente consideradas homofóbicas e de agressão a mulheres: “Foram divulgadas por toda a mídia, basta procurar na internet”.
Em aparte, a deputada Teresa Leitão pediu para que as frases consideradas ofensivas fossem removidas das notas taquigráficas. “É bom lembrar que a maior parte delas foi obtida em conversas grampeadas ilegalmente”, recordou a petista, cobrando decoro do colega. “Corrupção o Brasil está vendo agora, com as ‘rachadinhas’ de gabinete e esquemas para a compra de vacinas”, acrescentou.
No tempo dedicado à Comunicação de Lideranças, João Paulo criticou o uso de “expressões desqualificadas, homofóbicas e machistas” para tratar do ex-presidente Lula. “Estou aqui para debater ideias e me preocupo com essas agressões ocorrendo na Casa”, concluiu o comunista.
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