Comissão de Saúde reúne especialistas e debate atendimento remoto durante pandemia

Em 04/06/2020
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O atendimento a distância de pacientes durante a pandemia do novo coronavírus foi debatido durante a reunião remota da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, nessa quarta. No encontro, especialistas alertaram que a descontinuidade tecnológica e a rotatividade de profissionais podem trazer dificuldades ao processo.

Professora da Universidade de Pernambuco e gestora do Núcleo de Telessaúde, vinculado à Secretaria de Saúde, Dulcineide Oliveira destacou as atividades desenvolvidas pelo núcleo. Ela informou que o atendimento remoto, por meio de teleconsultas, começou em abril. Inicialmente voltado para crianças portadoras da síndrome congênita da microcefalia, a medida vai ser estendida a pacientes com doenças crônicas, raras e pessoas com deficiência. “Esse sistema é um sistema [em] que você faz o agendamento, você tem o prontuário eletrônico, você tem o estabelecimento de uma videochamada com o usuário e a gente consegue estabelecer a consulta tanto médica como multiprofissional”.

Dulcineide anunciou ainda que a estratégia de atendimento a distância, que já funciona em Petrolina, Salgueiro e Serra Talhada, vai chegar na próxima semana a Caruaru e Belo Jardim, no Agreste Central; Limoeiro, no Agreste Setentrional; e Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú. Para Magdala Novaes, professora de Informática em Saúde da UFPE e coordenadora do Núcleo pioneiro em telessaúde no Brasil, as ações nessa modalidade de atendimento chegaram para complementar o presencial, sendo necessário entendê-lo como parte de um trabalho integrado, cujo primeiro benefício à população é o acesso. Magdala apontou que a descontinuidade de ações e estratégias ao longo dos anos tem prejudicado a política de atendimento à população e cobrou dos parlamentares uma legislação que proporcione e facilite o acesso de todos à saúde.

A dificuldade de acesso às tecnologias para utilização da telemedicina foi apontada por Alexandre Lage, diretor clínico da UPA-E de Ouricuri, como um entrave ao funcionamento efetivo do sistema. Segundo ele, a vontade dos planos de saúde em diminuir seus custos foi o principal motivador para a substituição do atendimento presencial pelo remoto. Lage assinalou que a nova condição imposta pela necessidade de distanciamento social provocada pela pandemia do novo coronavírus fez com que vários pacientes de doenças crônicas ficassem sem atendimento nas UPAs-E. Essa situação mudou a opinião do especialista, que agora aguarda a chegada do sistema na unidade de saúde em que ele trabalha, no Sertão do Araripe.

Aprovada pelo Conselho Estadual de Saúde desde março de 2017, a política de telessaúde de Pernambuco é um processo em construção, como afirma o secretário executivo de Saúde do Estado, Humberto Antunes. Para ele, é importante ampliar o fórum de discussões sobre a telemedicina e suas ramificações, como a organização dos fluxos assistenciais, a telerregulação e outras questões importantes para a ampliação do sistema.

O gestor afirmou ainda que o atendimento médico a distância vai permitir que profissionais com maior capacidade técnica possam contribuir para dar respostas mais rápidas às demandas de saúde no interior do Estado. No encerramento do encontro, a presidente do Colegiado, deputada Roberta Arraes, do PP, fez novo apelo pelo isolamento social. “Nós temos números alarmantes em nosso país. O isolamento social é importante, não vejo outro caminho. Escuto,  escuto mas é importante que a gente tenha esse sentimento, porque é através de isolamento social que nós vamos salvar vidas.”

Ainda na reunião do colegiado de Saúde dessa quarta,  foi aprovado parecer favorável ao projeto de lei da deputada Dulcicleide Amorim, do PT, que torna obrigatória a emissão da declaração de acompanhamento para pessoas que acompanham pacientes internados em hospitais públicos e privados em Pernambuco. Pela proposta,  o acompanhante deverá requerer o documento por meio de formulário próprio confeccionado pela unidade hospitalar.