A Compesa e a Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco prestaram contas à Comissão Especial das Barragens da Alepe nesta segunda. Os maiores reservatórios são administrados pela empresa de saneamento do Estado. Segundo Hudson Pedrosa, gerente de Segurança de Barragens da Compesa, as 81 vistorias realizadas em 2019 não identificaram situação de emergência. “Em geral, as barragens da Compesa que a gente vem visitando necessitam de manutenção, mas manutenções básicas, de limpeza, retirada de vegetação, manutenção nos equipamentos de controle, como descarga de fundo. Não foi encontrada nenhuma em situação de emergência, a maioria está em nível de atenção ou alerta”.
Hudson ainda salientou que a criação de uma gerência específica de segurança é resultado do trabalho junto à Comissão Especial da Alepe e representa uma mudança de cultura na empresa, que lançou recentemente uma plataforma de georreferenciamento para que a situação de cada barragem seja acompanhada de forma mais efetiva.
Já a secretária executiva de Recursos Hídricos do Estado, Simone Rosa da Silva, destaca que, em 2019, foram inspecionados 18 dos 40 reservatórios sob responsabilidade do órgão e, em 2020, todos devem ser examinados. A secretaria está elaborando projetos de recuperação de duas barragens em situação de emergência. “Em termos de projeto de recuperação de barragem, nós estamos com duas barragens que estão com projetos em recuperação, que é a barragem Nilo Coelho, no município de Terra Nova, e a barragem de Poço Grande, no município de Serrita, que estão sendo finalizadas agora em fevereiro. E nós vamos licitar, foi publicada hoje inclusive, a concorrência para o projeto de recuperação de mais três barragens”.
A diretora de regulação e monitoramento da Agência Pernambucana de Águas e Clima, Apac, Cristiane Rosal, alertou para os riscos relacionados à falta de estruturação do Departamento Nacional de Obras contra as Secas, Dnocs.
O presidente da Comissão Especial das Barragens da Alepe, deputado Antônio Moraes, do PP, reforça a preocupação com o reservatório de Serrinha, administrado pelo órgão federal no município de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú. “Preocupante. Até o ano passado, o Dnocs tinha um engenheiro para acompanhar um quantitativo enorme de barragens que eles têm aqui. A gente teve a oportunidade de ir em Serrinha, lá tem problemas seríssimos nas comportas, e é uma barragem de mais de 300 milhões de metros cúbicos de água, então eu acho que o Governo Federal vai ter que encontrar uma solução, porque inclusive nós temos Floresta e vários municípios que estão abaixo do balde da barragem de Serrinha e, se a gente tiver ali qualquer desastre, seria uma perda de vidas muito grande”. O parlamentar ainda observou que há muitas barragens não identificadas no estado, principalmente as vinculadas à Secretaria de Agricultura. Antonio Moraes também anunciou que, após o encerramento das atividades do Colegiado, previsto para a próxima quarta, será encaminhada uma proposta legislativa que vai exigir a apresentação de relatórios anuais de monitoramento por parte dos órgãos responsáveis pelas barragens do estado.
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