A proposta de instalação de uma usina nuclear em Itacuruba, no Sertão de Itaparica, foi debatida na Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática da Assembleia Legislativa, nessa segunda. Especialistas na área defenderam a instalação do empreendimento, ressaltando o desenvolvimento que o projeto pode levar à região. O prefeito do município, Bernardo Maniçoba, também participou da reunião.
A cidade foi escolhida pela Eletronuclear como a melhor opção para a instalação, a partir de estudos do Programa de Expansão da Energia Nuclear Brasileira. O diretor de operações da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Chesf, João Henrique de Araújo Neto, disse que, com o aumento da população e a diminuição das chuvas, a matriz elétrica brasileira, que é cerca de 65% hidráulica, tem sofrido sérios comprometimentos. Segundo ele, o Nordeste tem vocação para ser uma região exportadora de energia elétrica, mas para isto, é necessário planejamento e uma matriz energética diversificada e segura, que possa atender o consumidor a qualquer momento.
A professora Helen Khouri, do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, apresentou detalhes sobre o uso da energia nuclear em áreas como saúde, indústria e agricultura, e ressaltou que a desinformação pode atrapalhar a chegada do empreendimento a Itacuruba, fazendo a cidade perder a oportunidade de desenvolvimento. “Nós tivemos fases de escravos, mas agora nós temos os escravos tecnológicos. Se nós não tomarmos cuidado, nós vamos ser mais um daqueles países em que não pode desenvolver as tecnologias de ponta e vamos continuar pagando royalties.”
O engenheiro eletricista Carlos Henrique Mariz também defendeu o projeto e apresentou detalhes sobre a matriz energética mundial e sobre a participação da energia nuclear nesse contexto. Segundo ele, este tipo de energia é uma das mais limpas e seguras. “Você tem hoje 444 usinas operando há mais de 20 anos, 24 horas por dia. Esses três acidentes que tiveram, quando você contabiliza, o número de mortes é pequeno, a quantidade é muito pequeno de pessoas. Então, o pessoal tem que se tranquilizar com relação a isso. O mundo todo continua construindo usinas nucleares as usinas nucleares são a forma mais segura de produção de eletricidade que o homem desenvolveu”.
Autor da Proposta de Emenda Constitucional que permite a instalação de usinas nucleares em Pernambuco, em tramitação na Alepe, o deputado Alberto Feitosa, do Solidariedade, destacou o potencial do investimento e disse que o receio em relação à instalação de uma usina nuclear no Estado é proporcional ao desconhecimento que as pessoas têm sobre o assunto. Por isso, ele afirmou que vai sugerir ao governo do Estado que promova ações educativas que ajudem a tirar as dúvidas da população. “O esclarecimento é fundamental para que a gente possa não só ter o equipamento, mas, também oportunizar as pessoas Pernambuco a opinarem de maneira correta.”
Entre os dias 16 e 18 deste mês, a Comissão de Ciência e Tecnologia vai visitar as instalações da usina nuclear de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O objetivo é conhecer os detalhes do funcionamento e das medidas de segurança e proteção ambiental do empreendimento.
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