Encontro da Unale propõe frentes de combate ao suicídio e à autolesão em todo o país

Em 03/10/2019
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A Assembleia Legislativa de Pernambuco e demais casas legislativas estaduais do país devem criar frentes parlamentares e iniciativas de combate ao suicídio e à autolesão. Essa foi uma das diretrizes estabelecidas pelo Grupo de Trabalho sobre este tema no Seminário Regional de Promoção e Defesa da Cidadania da Unale, a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais. A reunião do GT ocorreu nesta quinta, no Auditório Sérgio Guerra,  da Alepe.

Em Pernambuco, a Frente Parlamentar de Combate ao Suicídio e à Autolesão terá uma atuação ampla e deve contar com o apoio de diversos profissionais da saúde. É o que afirma o coordenador do grupo, deputado Diogo Moraes, do PSB. “Nós vamos reunir todos os especialistas no âmbito da psiquiatria, da psicologia, da Assistência Social da rede de atenção para que a gente possa fazer primeiramente o extrato com várias audiências públicas com esses especialistas. Depois nós vamos percorrer o estado de Pernambuco para também detectar focos de onde há ocorrência maior”.

Diogo Moraes anunciou ainda a intenção de entregar ao Governo do Estado um Plano Estadual de prevenção e combate ao suicídio e à autolesão.

O seminário contou com a participação de especialistas na área de saúde mental como a psicóloga Andrea Chaves, do Núcleo de Saúde Mental da Unidade de Suporte do Samu, no Distrito Federal, único no país.

Andrea Chaves sugeriu a instalação de outras unidades do Núcleo de Saúde Mental em outros estados. Segundo ela, essa ação melhora o atendimento do paciente e reduz o número de internações. “Estatisticamente as nossas ocorrências de 80 a 90 % concluem-se na cena. Ou seja, a gente consegue medicar o paciente, quando é necessário, fazer a intervenção em crise, encaminhar ele pra RAPs e não levar ele para o hospital.” 

Elias Lacerda, presidente da Comissão de Prevenção de Automutilação, Bullying e Suicídio da Rede Internacional de Excelência Jurídica, de Brasília, apresentou relatos de sua atuação e reforçou a necessidade de estruturar o sistema público de atendimento para saúde mental, visando combater o suicídio.  

A secretária nacional da Família, Ângela Gandra, ressaltou que o trabalho do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos é o da conscientização das famílias sobre o tema. “O nosso papel, é um papel de chegar antes, ou seja, despertar os pais. Nós não podemos cuidar do suicida, mas a gente pode alertar e nosso programa é uma campanha de conscientização”. 

Segundo dados apresentados no encontro pelo psiquiatra Evaldo Melo de Oliveira, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, totalizando cerca de 800 mil casos anuais. O profissional salientou que apenas 28 países possuem estratégias nacionais para tratar da questão que, de acordo com ele, é relacionada à depressão e ao uso de drogas. Ele também sugeriu uma atenção especial aos médicos e demais profissionais de saúde, cuidadores dos pacientes, pelo estresse com que trabalham.