Audiência pública debate formas de prevenir ataques de tubarão

Em 11/06/2018
-A A+

As comissões de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente da Alepe receberam especialistas, representantes do Governo e empresários do trade turístico para debater os impactos ambientais e econômicos dos ataques de tubarão. A audiência pública conjunta ocorreu nessa segunda por solicitação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Além dessas entidades, participaram do encontro representantes da Universidade Federal Rural de Pernambuco, das Secretarias estaduais de Turismo e Desenvolvimento Econômico e do Comitê de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), entre outras instituições.

De acordo com o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Aluísio Lessa, do PSB, o encontro serviu para coletar ideias e sugestões de medidas de prevenção aos ataques. “Tem muitas sugestões, muitas propostas. Algumas já são realizadas pelo CEMIT, pelo Governo do Estado, mas precisam ser melhoradas, aperfeiçoadas. A gente precisa envolver também os municípios. Tem propostas de qualificar equipes que já atuam nos municípios e é preciso redirecionar esses agentes ambientais, ou até da própria Vigilância Sanitária para ser um fiscal da praia.”

Desde 1992, foram registrados 65 casos de ataques de tubarão no litoral pernambucano. A última ocorrência foi registrada no dia 3 de junho, na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana. A vítima fatal foi José Ernesto Ferreira da Silva, de 18 anos. Para o presidente do CEMIT, Coronel Leodilson Bastos, a questão pode ser minimizada se a população e o Poder Público fizerem as adaptações necessárias para conviver com os tubarões. “O tubarão é um animal selvagem, ele é um sobrevivente nato e está presente no nosso planeta muito antes dos dinossauros serem extintos. Ele não vai se mudar. É necessário que a população aprenda a conviver com essa realidade do nosso planeta como um todo. Já que a ação do homem sempre vai gerar consequência para o planeta. É necessário cumprir rigorosamente as orientações dos bombeiros, as indicações de perigo que tem nas praias para que a gente não veja outros incidentes acontecerem.”

O fundador da Associação de Vítimas de Ataques de Tubarões, Charles Heitor, também esteve presente. Ele perdeu as duas mãos em uma investida do animal no ano de 1999, quando surfava na praia de Boa Viagem. Charles se queixou da falta de apoio para os sobreviventes. “O Estado não dá nenhum tipo de apoio. Tem pessoas que são vítimas de tubarão que vivem trancadas dentro de casa, não sai mais. A vida parou.” Um relatório será elaborado a partir das contribuições coletadas na audiência e encaminhado para os setores do Governo e da sociedade civil.