O plantio de banana e a exploração de madeira ameaçam a Reserva de Vida Silvestre Águas de Mata Azul, em Timbaúba, na Mata Norte. O alerta foi feito durante audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico na Câmara de Vereadores do município. De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Severino Gomes, o Tiba, variados grupos têm sido responsáveis pela derrubada da Mata Atlântica.
“Uma parte por pessoas ligadas à própria comunidade lá, mas desmatamento maior tem sido nos engenhos de Mascarenhas, tem sido feito até por pessoas de fora, que além de desmatar eles plantam banana e além de cometer o crime do desmatamento eles cometem o crime da invasão”.
O Prefeito de Timbaúba, Ulisses Felinto Filho, afirmou que a Prefeitura já tentou acabar com a ocupação irregular, mas, segundo ele, a ação dos fiscais necessita do apoio de outros órgãos.
“Isso aí realmente tem que funcionar numa união. Tem que tá junto o Cipoma, o Município, pra realmente essas pessoas terem o intuito de que estão fazendo errado. Saberem que estão fazendo errado.”
O clima de tensão foi confirmado pelo professor João Marcelo Gomes Ferreira. Dono de uma propriedade de um hectare na região, Ferreira afirmou que a extração de madeira até aumentou depois que a área foi declarada unidade de conservação em 2014. O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Aluísio Lessa, lembrou que os recursos do ICMS Verde podem ser aplicados em ações de preservação. No caso de Timbaúba, a verba foi de 639 mil reais em 2017.
“É um recurso considerável que pode ser investido exatamente numa brigada florestal, em criar aqui uma guarda ambiental, enfim uma estrutura que venha a cuidar disso em nome da prefeitura, mas em parceria com o Cipoma, com CPRH, com o destacamento da Polícia Militar daqui da cidade de Timbaúba.”
A intenção do parlamentar é formar uma comissão com representantes da Alepe, polícias Militar e Civil e Ministério Público para fazer uma visita técnica.
A Reserva de Vida Silvestre Águas de Mata Azul tem aproximadamente 3.800 hectares, no limite de Timbaúba com os municípios de Macaparana e Vivência, com papel fundamental na oferta hídrica da região. A professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Ednilza Santos, considera a área um verdadeiro museu vivo.
“Lá a gente tem o macaco galego, além disso tem várias espécies de anfíbios que estão na lista de animais ameaçados, como por exemplo a Hylomantis granulosa, Chiasmocleis qlagoanus, algumas espécies de serpentes, como a Lachesis muta, que a gente encontra com grande frequência nessa área, porque é uma área que [é] uma das mais representativas que a gente tem no nosso Estado.”
Ainda dentro do tema meio ambiente, o problema do lixo também foi enfocado. O prefeito Ulisses Felinto disse que nã
o tem verba suficiente para substituir o lixão da cidade por um aterro sanitário. Um consórcio com outros municípios da Mata Norte foi uma das soluções propostas.
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