Medidas para garantir, na prática, o acesso ao lazer previsto na Lei Brasileira de Inclusão foram debatidas na audiência pública promovida pela Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência, nessa terça. A matéria foi regulamentada pelo presidente Michel Temer em março, e estipula prazos para a adequação de serviços de hospedagem e alimentação. O conselheiro da Abrasel, George Rodrigues, acredita que o trabalho começa com a sensibilização dos empresários. Mas ele acha que a maior cobrança virá da própria sociedade. “A maior lei é a de mercado. Então, a partir do momento que eu tenho redes sociais e aplicativos de avaliação, e o poder está totalmente nas mãos dos consumidores, então, às vezes, o fato de eu não cumprir com determinada exigência pode trazer um prejuízo até maior do que as penalidades previstas em lei para o mercado”.
O empresário pediu o apoio do Sebrae para implantar um programa de consultoria que oriente os empreendedores com soluções criativas. Também defendeu a criação de destaques para estabelecimentos já adaptados no guia da Abrasel. A ideia foi aprovada pela consultora de acessibilidade e turismo, Mosana Cavalcanti. “Tem que ter uma cadeia produtiva no turismo. É o táxi, é o hotel, é o restaurante, então, essa cadeia poderia estar divulgada onde é que tem acessibilidade online, no Governo do Estado, ou a Abrasel criar um site. Porque um cadeirante, uma pessoa cega não vai pra um lugar sem saber se aquele lugar tem acessibilidade”. Cadeirante há quinze anos, Mosana pediu a instalação de rampas de acesso nos prédios históricos, como acontece em outros países, e sugeriu que o Colegiado inclua o Iphan no debate.
Outra proposta discutida foi o investimento em aplicativos de acessibilidade. Para o consultor Artur Mendonça, o uso da tecnologia poderia suprir, por exemplo, a demanda por cardápios em braile, muito mais difíceis de atualizar. Coordenadora da Frente, a deputada Laura Gomes, do PSB, avalia que a reunião serviu para unir os diversos segmentos interessados no tema. “A Abrasel, junto com a Sead e o Conselho Estadual, para, junto com Sebrae, fazer a formação dos empreendedores, mas também com os que prestam serviço. Então foi muito rica a discussão, um conteúdo que vai avançar”.
Também participaram da audiência representantes do Procon Pernambuco, Empetur, Crea e Secretaria de Turismo do Recife, além da ex-deputada Terezinha Nunes.
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