O número de matrículas no ensino superior no Brasil tem crescido, em média, 5% ao ano, de acordo com o Ministério da Educação, o MEC. Entre 2015 e 2016, o aumento desacelerou: foi de apenas 0,2%. O pró-reitor de ensino do IFPE, professor Assis Leão, observa o crescimento das oportunidades de ingresso nos cursos de graduação no Brasil, mas ainda considera os números insuficientes. “Nós temos diversificado a nossa oferta, facilitando o acesso à educação superior no país. Embora que, quando comparados ao contexto latino-americano, nós ainda temos um acesso muito restrito, em relação ao total da população do país, à educação superior.”
A educação a distância abriu as portas para que muitos brasileiros entrassem na graduação. As mensalidades praticadas para uma sala de aula virtual costumam ser mais baratas que nos cursos presenciais. Segundo o MEC, foram quase um milhão e meio de matrículas nessa modalidade em 2016, mais de 18% do total da educação superior. O professor Assis Leão acompanha essa tendência. “A gente verifica no Brasil, a partir de 2003, um crescimento vertiginoso, constante da modalidade da educação a distância na educação superior do país. Esse crescimento veio acompanhado por um debate a respeito da precarização da educação superior, mas a gente deve reconhecer que essa modalidade de ensino vem cumprindo um papel social no sentido de as políticas de educação superior fortalecerem o acesso da população a esse nível de ensino.”
O sonho de conquistar um diploma também leva milhares de estudantes brasileiros a outros países. De acordo com a Associação Brasileira das Agências de Intercâmbio, em 2016 mais de sessenta e dois mil brasileiros ingressaram em uma instituição de ensino superior no exterior. O modelo educacional no Brasil é bem diferente de alguns dos destinos procurados, como o Canadá. Lá, além da universidade, os alunos também podem cursar o college, uma espécie de graduação básica, de curta duração. A pernambucana Luane Costa, de 27 anos, se mudou para o Canadá para estudar cinema. “Eu cheguei a fazer dois cursos: arte visual e design, e depois eu fiz um mais específico para a área de cinema. Os dois foram cursos intensivos, praticamente condensando de três a quatro anos em um ano. Atualmente eu moro em Montreal, e eu conheci vários brasileiros que vieram para cá para fazer o college. Eu acho que uma das grandes diferenças entre os cursos superiores no Brasil e no Canadá é a opção de escolha.”
Outro desafio para a educação superior é o rápido avanço da tecnologia, um fator que vem transformando as profissões. Um estudo da empresa multinacional Manpower Group, apresentado em 2017 no Fórum Econômico Mundial, indica que 65% dos empregos da geração Z – pessoas nascidas entre 1990 e 2010 – ainda nem existem. A pesquisa, intitulada “A revolução das competências”, aponta que a capacidade de absorver novos conhecimentos é fundamental no novo mundo do trabalho, de mudanças constantes. Isso significa que a permanência do profissional no mercado não está mais relacionada ao que ele sabe e, sim, ao que está disposto a aprender.
Catherine Chaves, de 18 anos, e Andrey Feitosa, de 17, esperam dar o primeiro passo nessa direção a partir de 2019. Os estudantes aguardam o final do ensino médio na rede pública de Pernambuco e pretendem ingressar na faculdade para fazer a diferença como profissionais. “Eu vou fazer Direito, pretendo fazer na Universidade Federal. Eu pretendo focar na parte da família, da Vara da Família. Pretendo ser uma das melhores dessa área, me dedicar mais, ser uma das melhores dessa área, entendeu?” “A minha expectativa é fazer Jornalismo aqui e depois fazer especialização na Argentina, com o espanhol. E acredito que é uma das maneiras, minha maneira de mudar o mundo. Minha colaboração, nessa coisa de mudar o mundo, é nessa área.”
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