As mulheres são maioria entre os aprovados para o serviço público, mas os cargos mais altos ainda estão nas mãos dos homens. De acordo com dados do IBGE apresentados durante a audiência pública que debateu a representatividade feminina nos espaços de poder, apenas 37% das posições de direção e gerência são ocupadas por mulheres. No Executivo Federal elas são titulares de somente 21% dos cargos comissionados de salário mais alto. O debate sobre o tema foi realizado nessa terça, na Alepe.
Na avaliação da pesquisadora da Fundaj Cristina Buarque, a mudança depende da tomada de consciência sobre o jogo de poder que tem sido estabelecido pela sociedade patriarcal. “ O caminho é esse: discutir, reunir as mulheres, tentar fazer política de outra forma, nós mulheres, e não copiarmos esse modelo infeliz que existe desde o começo da República no Brasil e que ainda existe, para transformar isso”.
Única pré-candidata ao cargo de defensora geral do Estado, Gina Bezerra acha que só uma transformação que comece dentro de casa é capaz de garantir uma representação efetiva das mulheres.
“A gente não tem que considerar circunstâncias do dia a dia como obstáculos, mas ao contrário: chamar os homens para dividir conosco o papel da casa, os os vários papéis que a gente tem, para que a gente possa dividir com eles também esse papel na vida social. Poder se candidatar, poder exercer um trabalho que exija mais tempo.”
A juíza do Trabalho Viviane Oliveira lembrou que no TRF da 5° Região, que abrange seis estados do Nordeste, incluindo Pernambuco, não há nenhuma desembargadora mulher. Para a deputada Terezinha Nunes, do PSDB, que solicitou a audiência, isso exemplifica o que chamou de contrasenso: o Poder Judiciário, que deveria dar o exemplo, é comandado essencialmente por homens, embora o Brasil tenha assinado um tratado para eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher desde 2002.
“Em 200 anos do Tribunal de Justiça de Pernambuco, só quatro mulheres foram desembargadoras. Quer dizer, isso é uma discriminação imensa que a sociedade brasileira precisa se aperceber disso e começar a corrigir”.
Na avaliação da presidente da Comissão da Mulher, deputada Simone Santana, do PSB, o debate dessa terça complementa as ações que já têm sido feitas pelo Colegiado. Ela comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal que garante um mínimo de 30% do Fundo Partidário ao financiamento de campanhas de mulheres.
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