A Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência debateu, nessa quinta, ações para garantir a acessibilidade cultural. Além das barreiras físicas no trajeto, pessoas com deficiência enfrentam ainda dificuldades para apreciar um evento. Interpretação de libras e audiodescrição não são oferecidas em todas as apresentações no Estado.
Coordenadora da Frente, a deputada Terezinha Nunes, do PSDB, destacou a importância do tema. “Hoje muitas pessoas com deficiência ficam em casa e não vão para canto nenhum. Então é preciso que essas pessoas saiam e se divirtam para poder ter uma melhor qualidade de vida. Pernambuco é um estado conhecido pelos grandes eventos que faz, públicos e privados, e é necessário que cada vez mais as pessoas com deficiência tenham acesso.”
A relatora do Colegiado, deputada Laura Gomes, do PSB, também se posicionou nesse sentido. Durante a reunião, que contou com a participação de produtores culturais e gestores, foram apresentadas dificuldades em relação ao tema.
Chamando atenção para o fato de que quase um terço da população brasileira tem algum tipo de deficiência, a produtora Carla Bensoussan, da Agência Lead, defendeu que o custo não pode impedir a acessibilidade. “A grande dificuldade é a parte na cultura dos produtores entenderem que é possível. Se tem um estigma de que é caro fazer acessibilidade, e não é.”
Gerente da Fundarpe, Márcia Chamixaes disse que os projetos do Funcultura já contemplam a inclusão e que agora, nas produções, está sendo priorizada a contratação de artistas com deficiência. A gestora anunciou a compra de equipamentos de audiodescrição. “O Governo do Estado, através da Fundarpe, adquiriu para os seus equipamentos culturais situados na Região Metropolitana, os equipamentos de audiodescrição, que vão proporcionar ao produtor cultural que queira levar, tanto para o teatro Arraial como para o auditório do Museu do Estado e o Cine São Luiz, ter o equipamento disponível para a audiodescrição.”
A cantora Marília Mendonça narrou as dificuldades de falta de acessibilidade que encontra em eventos. Sobre a Paixão de Cristo, por exemplo, comentou que só tem um dia e um horário de apresentação específico para pessoas com deficiência visual.
Produtor do Coquetel Molotov, Jamerson Lima lamentou o fato de o festival realizado no ano passado, no Recife, não ter atendido a todos os requisitos de acessibilidade.
Audiodescritora, Patrícia Pordeus reclamou da falta de investimentos em ferramentas inclusivas. E o professor de libras da UPE, Luiz Albérico Falcão, criticou a escassez de formação no idioma no Estado.
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