Frente Parlamentar ouve demandas de pessoas com deficiência em Jaboatão dos Guararapes

Em 27/02/2018
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Mobilidade, educação inclusiva e atendimento especializado de saúde são algumas das necessidades das pessoas com deficiência do município de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. As demandas foram apresentadas nessa terça, em audiência pública realizada na Câmara de Vereadores da cidade, pela Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência. A coordenadora do colegiado, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, lembrou que Jaboatão é o segundo município mais populoso de Pernambuco. “A gente entende que Jaboatão, com os problemas que tem, com a grande população pobre que vive aqui, essa situação deve ser ainda pior do que a da Capital. A gente vai ouvir as demandas da população, saber o que a Prefeitura está fazendo para resolver e o que o Estado também deve agir no sentido de dar maior atenção às pessoas que aqui residem.

A audiência reuniu entidades que representam pessoas com diferentes deficiências no estado, além de integrantes de órgãos como Ministério Público, OAB e Secretaria Municipal de Educação. O encontro foi marcado por relatos emocionados. Um deles foi o da presidente da União de Mães de Anjos, a UMA, que representa mulheres com filhos que nasceram com a Síndrome Congênita do Zika Vírus. Germana Soares falou que a audiência pública é uma oportunidade para que os gestores tomem conhecimento sobre as necessidades do grupo. “Como é que a gente vai fazer algo para alguém, se a gente não sabe o que verdadeiramente ela passa? Então, aqui a gente vai desde a inclusão das crianças em creches, até a questão da estimulação precoce na policlínica, que a gente vai esbarrar na questão da qualidade e da quantidade de número de sessões de terapias que é indicado, que está abaixo, está insuficiente aqui.

O presidente da ONG Deficiente Eficiente, que reúne 120 cadeirantes de Pernambuco, Felipe Gervásio, destacou que a principal bandeira do grupo é a mobilidade. “Nós vamos a hospitais, a postos de saúde, que sequer têm rampa de acesso, sequer têm um banheiro adaptado. Eu, enquanto pessoa com deficiência, usuário de cadeira de rodas, me sinto constrangido. Aí eu procuro sempre a gestão da unidade, para a gente poder ver o que pode fazer e ajudar na melhoria, porque eu acredito que é uma parceria.

A promotora de Defesa da Cidadania de Jaboatão, Isabela Carneiro Leão, apontou outras queixas que o Ministério Público recebe em relação à assistência às pessoas com deficiência, como na área de educação. “Ausência de acompanhante para aquele aluno que necessita, insuficiência de sala de recursos multifuncionais no contraturno, recusa também em aceitação de alunos com deficiência na rede de ensino privada e demais direitos violados. A atenção que temos que ter com a pessoa com deficiência é transversal, porque ela deságua em vários setores.

A coordenadora de educação especial do município, Lauriceia Tomaz, disse que as ações da gestão atual, para garantir a educação inclusiva aos cerca de 1.300 alunos da rede municipal que têm deficiência, foram reforçadas no último ano. “Nós só tínhamos 24 professores do atendimento educacional especializado, que atuam em salas de recursos multifuncionais. De 24 nós colocamos para 59 professores. A gente está instrumentalizando essas salas de recursos com os recursos pedagógicos adequados e adaptados. São pequenas ações em um ano de trabalho, mas que a gente já está vendo o reflexo.

O secretário de articulação política do município, Robson Leite, se colocou à disposição para buscar soluções a todos os problemas pontuados durante a audiência. Entre os encaminhamentos anunciados estão encontros mensais com representantes da UMA, e o compromisso da Câmara de Vereadores em criar a própria Frente Parlamentar para defender os direitos das pessoas com deficiência.