As pessoas diagnosticadas com diabetes enfrentam dificuldades para fazer exames em jejum total, por terem horários regrados para comer e tomar remédios. Para evitar prejuízos a esses pacientes durante a espera no ambiente hospitalar, foi aprovada na Alepe, em maio do ano passado, a proposta do deputado Everaldo Cabral, do PP. A matéria, que se tornou lei, obriga a fixação de cartazes em clínicas, postos de saúde e hospitais de todo o Estado informando a prioridade no atendimento para essas pessoas nos exames em jejum total. De acordo com o parlamentar, a ideia surgiu após conversas com diabéticos. “O diabético tem atendimento preferencial, mas eles não sabem o direito que eles têm. A gente criou uma lei para ficar mais forte. E a gente tem que explicar pra eles que eles têm prioridade em qualquer lugar, em qualquer clínica.”
Segundo a pesquisa mais recente do Ministério da Saúde, 8,9% da população sofre com a doença. A publicitária Daniele Santos, diagnosticada aos cinco anos de idade com a diabetes tipo 1, relata os problemas que enfrenta, como o preconceito e a falta de remédios. Ela ressaltou que a nova lei ajuda a solucionar um deles. “A gente acaba ficando 12 horas sem alimentação e tem um horário específico para remédio, principalmente pela manhã, e é um tratamento independente. Não tem como prorrogar ou adiantar.”
A doença crônica é causada pela dificuldade no processamento do açúcar no organismo, segundo a médica endocrinologista Geísa Macedo, do Instituto Brasileiro de Diabetes, o Ibradi. Ela destacou que a nova lei possui grande relevância, pois garante aos pacientes o direito de seguir os horários estabelecidos para tomarem os remédios. “Se elas estiverem, por exemplo, numa fila e chega no laboratório às sete horas, mas só vai colher sangue às nove, ela deixou de tomar insulina ou a medicação dela na hora certa e isso pode influenciar no controle do diabetes durante o dia. A glicose dele vai sair dos eixos e se ela não tiver bem controlada, vai piorar, então é prioridade.”
Ela alertou ainda que se a doença não tiver um acompanhamento adequado, pode causar danos em diversos órgãos do corpo, deixar sequelas e até mesmo resultar em amputações.
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