Seminário debate representação da mulher na política

Em 13/12/2017
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A participação feminina na vida pública foi discutida no I Seminário Estadual Mulheres, Poder e Representação Política, realizado na Assembleia, nessa quarta. O encontro foi uma iniciativa conjunta da Secretaria Estadual da Mulher e da Comissão em Defesa dos Direitos da Mulher, da Alepe. Para a secretária da Pasta, Sílvia Cordeiro, a competição entre os gêneros é desigual. “Esse movimento da subrepresentação é muito resistente. Ele é resistente porque a política, como ela é estruturada em termos da vida partidária, é hegemonizada pelo masculino. E as mulheres não têm aquelas condições objetivas de concorrer com os homens”.

Segundo Sílvia, as candidatas recebem menos tempo de propaganda na televisão. A mulher, porém, representa a maioria da população e também do eleitorado no Brasil. Mas é minoria nos espaços de poder. Na Câmara dos Deputados, a bancada feminina soma 54 mulheres, pouco mais de 10% do total. No Senado Federal, a representatividade é de, aproximadamente, 16%. Débora Almeida, prefeita de São Bento do Una, no Agreste Central, destacou que apenas 27 das 184 prefeituras de Pernambuco são comandadas por mulheres. Na Alepe, são sete as deputadas estaduais, dentre 49 representantes do povo.

Para a secretária Nacional de Mulheres, Dora Pires, a mudança desse cenário começa pela união do segmento feminino. Isso porque, segundo ela, a militância de gênero é difícil e desgastante.

A presidente da Comissão em Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Simone Santana, do PSB, ressaltou que a subrepresentação feminina se deve, entre outros fatores, ao modelo eleitoral. “Nós temos 35 partidos. Só quatro são presididos por mulheres. Então, o próprio sistema político já restringe a participação feminina. A gente tem o sistema de cotas, desde a eleição de 2010, em que 30% dos candidatos devem ser femininos. Mas o que a gente percebe é que os partidos agem só pra cumprir a uma lei. Não há um incentivo realmente para que essas mulheres sejam competitivas e consigam chegar lá”.

Simone ainda destacou um projeto de resolução, de autoria dela, que deve ser implementado até março de 2018. A matéria, aprovada em 2015, determina que, uma vez por mês, 25 mulheres tenham a oportunidade de conhecer a Casa Legislativa e também discursar na tribuna.