Assembleia celebra riquezas da cultura negra

Em 23/11/2017
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A rica produção cultural e acadêmica, além da forte religiosidade do povo negro, foram reverenciadas nessa quinta, na Assembleia, durante Grande Expediente Especial. A reunião, solicitada pelo deputado Isaltino Nascimento, do PSB, também abordou as diversas faces do racismo no país, seja institucional, religioso e até ambiental. Mãe Elza, representando os terreiros de Pernambuco, ressaltou o valor da terra para o povo negro, e como esse direito é ameaçado. “Com a questão do ambiente, do meio ambiente, da terra tirada, da floresta tirada, e do rio, é um mal que realmente, (…) é algo, que não vemos possibilidade de reversão, pelo menos no sentimento do nosso terreiro que foi arrancado de uma terra que era próspera, onde foram encontrados minerais ou a possibilidade de construir um grande edifício, isso é um mal que você não reverte à humanidade.”

Segundo o mestre em Religião Alexandre L´omi L´odò, existem 1.261 terreiros registrados na Região Metropolitana do Recife. Mas o número é muito maior, segundo o pesquisador. Ele ainda se declara “juremeiro”, nome dado àquele que, além de reverenciar os orixás, também cultua a jurema, bebida sagrada utilizada por líderes espirituais indígenas. Alexandre lembra que 70% dos terreiros do Grande Recife abraçam o culto da jurema. Guitinho da Xambá, cantor do Grupo Bongar, chamou a atenção para o racismo religioso, que se manifesta como ódio aos praticantes das religiões de matriz africana. “A nossa arte, ela é totalmente embutida da ação política. Vir pra cá, tocar uma música que vem do terreiro, dentro de um espaço como esse, é de fundamental importância, principalmente na sociedade brasileira que hoje parece estar aflorando mazelas que já deveriam ter sido eliminadas”.

O evento foi pontuado por apresentações musicais e declamação de poesias, para comemorar a consciência negra. O deputado Isaltino Nascimento, que presidiu a reunião,  avaliou o encontro como uma grande celebração da contribuição dos negros para a sociedade brasileira. O parlamentar é autor de dois projetos de lei prevendo cotas raciais. “Um deles estabelece a cota para a Universidade de Pernambuco, a UPE, a partir de uma discussão com o movimento negro, estabelecendo metade das vagas da UPE para a população negra, quilombola, indígena e também população cigana.” Isaltino espera que as propostas, já em tramitação na Assembleia, sejam aprovadas ainda este ano.