O Brasil é o 5º país do mundo onde mais se matam mulheres. O dado do Mapa da Violência foi apresentado na abertura da audiência pública realizada pela Comissão da Mulher na Câmara de Vereadores de Barreiros, na Mata Sul. No município, foram registradas 80 ocorrências de violência doméstica desde o início do ano e, dos treze vereadores da cidade, apenas uma é mulher. A realidade se repete em municípios de todo o estado e mostra a necessidade da realização dos debates itinerantes, na opinião da presidente do colegiado da Mulher, deputada Simone Santana, do PSB. “Tanto a sub-representatividade nas casas legislativas, nos espaços de poder, como a violência doméstica e familiar, as duas têm raízes nessa cultura patriarcal, que sempre existiu e que ao longo dos anos a sociedade vem lutando para desconstruir e desconstrução de cultura não se faz do dia para a noite.”
Ainda segundo a deputada, dos 184 municípios pernambucanos, 180 já contam com mecanismos municipais de apoio ao público feminino. Em Barreiros, a Coordenadoria da Mulher, ligada ao Gabinete da Prefeitura, executa ações de combate à violência. As agressões apuradas vão desde ofensas verbais até as mais graves, como o caso recente de uma mulher mantida em cárcere privado pelo marido por dois anos. É o que relata a coordenadora Anna Walkiria Farias. “No passar desses dois anos ela ficou só à mercê dele. Ele ia trabalhar e deixava ela fechada. Quando ele chegava, trazia algum alimento e ela preparava e, quando ele saía, ele a fechava.”
A deputada Priscila Krause, do Democratas, encorajou as mulheres a denunciarem os casos e lembrou que os telefonemas podem ser anônimos. A escrivã da Polícia Civil no município, Francine Arruda, disse que as mulheres costumam ter medo de ir à delegacia e, quando vão, não querem a punição dos culpados. O motivo é que, normalmente, os agressores têm laços afetivos com a vítima. “Muitas vezes a intenção da mulher é que o policial chame a atenção do companheiro, não penalize ele. Então, na maioria dos casos elas desistem do procedimento, na intenção de que ele não seja preso, não seja recolhido a um presídio.”
Entre as estratégias apontadas pelos convidados para combater a violência, está a realização de ações educativas nas escolas e iniciativas para conscientizar o público masculino. O gestor escolar Adauto Alves, que falou em nome da plateia, defendeu maior interesse dos homens nas questões de gênero. “O importante é falar com os homens, mostrar para ele que o homem é filho de uma mulher e que quando ele agride uma outra mulher é como se ele tivesse agredindo a mãe dele, como se não tivesse respeito por quem botou ele no mundo.”
A vereadora Ivalda Farias, do PDT, uma das organizadoras do encontro, falou da dificuldade de ser a única mulher a ocupar o cargo na Câmara. “É desafiador porque Barreiros faz muito tempo que não elegia uma mulher vereadora e quando elegia era sempre uma e essa uma não se reelege, é vereadora de um mandato só.”
A audiência pública reuniu cerca de 160 pessoas entre parlamentares, gestores públicos e sociedade civil.
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