Desafios enfrentados por crianças autistas motivam reunião de Frente Parlamentar

Em 03/10/2017
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Capacitação de profissionais e articulação das redes municipais de saúde para o diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista. Essas foram demandas apontadas, nessa terça, durante reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência. O encontro reuniu representantes dos três poderes e entidades da sociedade civil.

Paula Carolina dos Santos, coordenadora do grupo Super Mães, que reúne famílias de crianças autistas ou com suspeita de autismo, ressaltou a importância do tratamento precoce. Isso evita prejuízos no desenvolvimento da criança. “E aí a gente tem pressa, porque as pessoas com autismo mais importante até do que o diagnóstico precoce, é a intervenção precoce. Mais importante do que ter um diagnóstico em mãos é ter o tratamento em mãos. Não vai adiantar diagnosticar e não tratar.”

Representantes da Secretaria de Saúde do Estado detalharam as ações desenvolvidas para as pessoas com o transtorno. A coordenadora de Atenção à Saúde Mental Infantojuvenil, Valdiza Soares, reconheceu as limitações, mas reforçou o compromisso com a causa. “Ficou muito claro nas falas que tem muito trabalho sendo feito e muito disposição também no trabalho. A gente também têm outros gargalos que são a ampliação das redes, as quantidades de CAOPs, que ainda são aquém do que a estrutura de um estado precisaria, mas a gente não pode só fazer política pública sem os outros parceiros.”

A necessidade de articulação dos municípios, responsáveis pela atenção básica, foi reforçada pelo promotor Édipo Soares, coordenador das promotorias de Saúde do Ministério Público do Estado. Procuradora da Alepe, Juliene Viana ressaltou que uma lei estadual aprovada em 2015 prevê atendimento em unidade especializada. Maria Angela Lira, presidente da Afeto, Associação de Famílias para o Bem-estar e Tratamento da Pessoa com Autismo, sugeriu abordagens que incorporem o autista à sociedade, reduzindo a dependência do Estado.

A coordenadora da Frente Parlamentar, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, alertou para o crescimento no número de casos no mundo. “A gente sabe que o autismo hoje está sendo tido até internacionalmente como uma verdadeira epidemia, porque tem surgido muitos casos no mundo e Pernambuco não está diferente do restante do mundo.”

A reunião ainda contou a participação de representantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Tribunal de Justiça de Pernambuco, conselhos profissionais e outras entidades.